A Justiça do Rio Grande do Sul condenou Emídio Marques Ferreira, ex-vice-presidente de Patrimônio do Sport Club Internacional, a 10 anos e seis meses de reclusão em regime fechado, além do pagamento de multa. Ele foi considerado culpado por 209 crimes de estelionato e por integrar uma organização criminosa, em esquema que desviou milhões dos cofres do clube.
A condenação é parte da Operação Rebote, que apurou irregularidades cometidas na gestão do ex-presidente Vitorio Piffero, entre 2015 e 2016. Segundo o Ministério Público, Ferreira e outros dirigentes apresentaram notas fiscais frias para justificar obras nunca realizadas no estádio Beira-Rio, no Ginásio Gigantinho e no Centro de Treinamento. Em troca, recebiam os pagamentos da tesouraria do clube, induzindo funcionários ao erro.
Ferreira também foi condenado a indenizar o Internacional, assim como os demais envolvidos. Seu processo foi desmembrado da ação principal, julgada em março de 2024, que resultou em outras duras condenações:
Pedro Affatato, ex-vice de Finanças: 76 anos e um mês de prisão por estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Vitorio Piffero, ex-presidente: 12 anos e três meses de reclusão por estelionato e lavagem de dinheiro.
Outros quatro réus — empresários e a esposa de Piffero — também receberam penas entre 4 e 62 anos.
Segundo o MP, os desvios ocorreram em duas fases. Na primeira, entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2016, Affatato sacou R$ 9,6 milhões diretamente da tesouraria com aval de Piffero e Ferreira. Depois, entre fevereiro e dezembro de 2016, outros R$ 3,1 milhões foram pagos mediante apresentação de notas fraudulentas.
As fraudes foram acobertadas com a simulação de serviços de construção civil que jamais foram realizados, com a colaboração direta de Emídio Ferreira e Carlos Eduardo Marques. O empresário Lucas Mantelli da Cunha foi o único absolvido.
📲 A defesa de Ferreira não respondeu aos contatos da imprensa até a última atualização desta reportagem.



