Marcelo Caumo foi detido temporariamente em ação da Polícia Federal que apura supostos desvios de recursos federais destinados às enchentes de 2024
O ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, foi preso temporariamente na manhã desta quinta-feira (26) durante a segunda fase da Operação Lamaçal, deflagrada pela Polícia Federal.
A investigação apura supostos crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro envolvendo recursos do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) destinados ao município do Vale do Taquari após as enchentes históricas de 2024.
Caumo também ocupou o cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano no governo de Eduardo Leite. Ele deixou a função em novembro de 2025, logo após a primeira fase da operação.
De acordo com a Polícia Federal, os valores investigados teriam sido repassados para ações emergenciais no período de calamidade pública. A suspeita é de que parte dos recursos tenha sido desviada por meio de contratos firmados com empresas ligadas a um mesmo grupo econômico.
Defesa aguarda acesso aos autos
A reportagem entrou em contato com o advogado Jair Alves Pereira, responsável pela defesa do ex-prefeito. Segundo ele, ainda não houve acesso ao conteúdo da decisão judicial que decretou a prisão.
“Não há como ter um posicionamento agora, pois sigo sem ter acesso ao conteúdo da prisão. Não sei o que motivou tal medida e, muito menos, a fundamentação do decreto. Assim que houver acesso a esse conteúdo, terei posição da defesa”, afirmou.
O espaço permanece aberto para manifestações.
Mandados e afastamento de vereadora
A ordem de prisão foi expedida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Além de Caumo, uma empresária também teve prisão temporária decretada.
Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão em Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo, Porto Alegre e em Lajeado. Também foi determinado o afastamento do cargo de uma vereadora do município de Encantado.
Indícios de direcionamento e contratos de R$ 120 milhões
A primeira fase da Operação Lamaçal ocorreu em novembro do ano passado. Conforme a PF, o material apreendido reforçou a hipótese de direcionamento de licitações e apontou possíveis irregularidades em três certames da Prefeitura de Lajeado.
As empresas investigadas, segundo a corporação, teriam sido contratadas para prestação de serviços de assistência social por valores superiores aos praticados no mercado, sem observância da proposta mais vantajosa para a administração pública.
Também foram identificadas supostas irregularidades na contratação terceirizada de psicólogos, assistentes sociais, educadores sociais, auxiliares administrativos e motoristas. Na época, houve dispensa de licitação sob justificativa do estado de calamidade pública provocado pelo dilúvio de 2024. Os contratos investigados somariam cerca de R$ 120 milhões.
Possíveis crimes
Os investigados poderão responder por desvio ou aplicação indevida de verba pública, contratação direta ilegal, fraude em licitação, corrupção passiva e ativa, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Quando deixou a secretaria estadual, em novembro, Caumo afirmou nas redes sociais que se sentia injustiçado. À época, o governo do Estado informou que a investigação não tinha relação com sua atuação na pasta.
Com informações Correio do Povo.
Foro: GZH / Reprodução.



