A Polícia Civil cumpriu, na manhã desta quinta-feira (4), seis mandados de busca e apreensão em Canoas e Porto Alegre dentro de uma investigação que apura o suposto abate irregular de cerca de 240 cães e maus-tratos a gatos na Secretaria de Bem-Estar Animal.
Durante a operação, agentes encontraram cães e gatos mortos em sacos plásticos dentro de um freezer na sede da pasta, o que reforça as denúncias de eutanásias em excesso e sem justificativa técnica.
Segundo a delegada Luciane Bertolletti, titular da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, as apurações começaram após denúncias feitas por servidores e confirmaram que o número de mortes no abrigo municipal estava muito acima do esperado: foram cerca de 240 cães em apenas oito meses.
A suspeita é de que uma das investigadas, que ocupava cargo de gestão, resgatava animais doentes, usava as redes sociais para pedir doações via PIX alegando tratamento e, em seguida, promovia uma matança sistemática.
“O que observamos foi uma matança desmedida de cães. O motivo? Ganho financeiro de uma das investigadas”, afirmou a delegada.
As investigações apontam para o período em que a protetora Paula Lopes esteve à frente da secretaria. Nomeada em dezembro de 2024 e exonerada em 18 de agosto de 2025, ela é investigada por estelionato e maus-tratos.
Em sua residência, na Zona Sul da Capital, a polícia encontrou R$ 100 mil em espécie. Além disso, mandados foram cumpridos em dois sítios ligados a ela — um registrado em nome de sua associação e outro pertencente a uma familiar — e nas casas de uma médica veterinária e de um homem suspeito de transportar os restos mortais dos animais.
A polícia também investiga maus-tratos contra gatos, que eram mantidos em um contêiner de forma irregular. A Rede de Proteção Ambiental e Animal (Repraas), ONG que acompanha as diligências, confirma que denúncias partiram de servidores da secretaria.
Um funcionário chegou a preparar um dossiê com fotos de cães recolhidos pela pasta e que desapareceram sem registro de destino. Testemunhas ainda relataram que caminhonetes recolhiam semanalmente corpos de animais mortos, sem qualquer documentação oficial.
Todos os cães e gatos encontrados no abrigo estão sendo catalogados, com verificação dos microchips, para rastrear quais desapareceram e comprovar a dimensão do possível esquema.
Em nota, a Prefeitura de Canoas disse receber “com indignação” as denúncias, garantiu colaboração integral com a polícia e informou ter aberto um processo interno para apurar responsabilidades.



