Uma moradora da Rua Bento Martins, no Centro de São Borja, afirma ter tido o abastecimento de água cortado nesta terça-feira (25) após um erro de leitura que teria gerado uma cobrança indevida de R$ 1.000,00 em sua fatura. O caso gerou indignação pela demora na resolução, pela sucessão de erros e pelo corte mesmo após promessa de crédito.
Jéssica Somavilla contou ao Fronteira 360 que o problema teria começado há cerca de dois meses, quando o consumo registrado em sua conta passou de 5 para 55 metros cúbicos devido, segundo ela, a uma leitura equivocada. A cobrança, debitada automaticamente, só foi percebida quando o valor atípico apareceu no extrato bancário.
“Eu tentei resolver no site e não consegui. Liguei, expliquei, e me disseram que o sistema estava fora do ar”, relatou. Ainda assim, a moradora afirma que recebeu a confirmação de que o valor seria revertido em crédito, o que, segundo ela, não ocorreu.
Nesta terça-feira, a água foi cortada. “Simplesmente vieram aqui e cortaram a água. Eu tenho uma criança pequena doente em casa. Isso é um absurdo”, disse.
Além da cobrança de R$ 1 mil, vieram outras duas contas — de R$ 200 e R$ 400 — que, na avaliação da moradora, poderiam ter sido automaticamente compensadas caso o crédito tivesse sido aplicado. “Mesmo se descontassem disso, ainda sobraria crédito. Mas nada foi resolvido.”
Jéssica também relata problemas constantes de baixa pressão. “Fiquei cinco dias sem água na caixa porque a pressão não estava suficiente. Aqui em casa, nem pressão na água tem direito.”
Ela afirma ainda que ao tentar resolver a situação, quase foi cobrada por uma conta antiga, pertencente a um morador de mais de 20 anos atrás. “Não tem lógica”, afirma.
A situação toda é apontada como motivo de estresse e desgaste emocional, especialmente no momento em que Jéssica vive, com um filho de apenas sete meses doente. “Chega um ponto que isso vai cansando, causando um desgaste”, desabafa.
Posicionamento da empresa
Procurada pelo Fronteira 360, a Aegea, nova controladora da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), informou, por meio de mensagem, que o caso já está sendo acompanhado pelo coordenador regional.
Segundo o comunicado:
“A equipe passou na residência para religar e não encontrou a moradora. Amanhã pela manhã será feito um novo contato e assim sucessivamente até que a situação seja resolvida.”
Após o contato da reportagem do Fronteira 360, a empresa informou, em mensagem enviada à Jéssica que equipes tentaram realizar a religação na noite terça-feira (25) e novamente na manhã desta quarta-feira (26), mas afirmam que não conseguiram acesso ao imóvel.
A empresa explicou que o crédito referente ao erro de leitura não é em dinheiro, mas sim em volume de água, que deveria ser descontado automaticamente nas faturas seguintes. Segundo o comunicado, esse lançamento não foi processado corretamente. “O sistema não fez esse lançamento. Foi isso que aconteceu”, afirmou.
Com a identificação da falha, o crédito será agora inserido manualmente. A empresa destacou, porém, que as faturas podem não ser zeradas por completo devido à taxa mínima de R$ 39,20. Ainda assim, os valores devem ser reduzidos.
As três faturas envolvidas foram bloqueadas “até o final do ano”, o que, de acordo com a atendente, impede a emissão de novos cortes enquanto a situação é analisada. A previsão é de que a situação seja resolvida até sexta-feira.
Jéssica contesta versão e diz que esperou até a noite
Após o posicionamento, Jéssica Somavilla afirmou que a equipe não chegou a comparecer enquanto ela estava no local:
“Eu esperei até às 19h e não foi ninguém lá em casa”, disse.
Ela também explicou que precisou sair devido à situação delicada envolvendo o bebê de 7 meses. “Infelizmente eu não tinha como ficar em casa sem água com um bebê de 7 meses doente.”
Segundo Jéssica, o marido permaneceu na residência enquanto ela se deslocou para Santo Antônio. “Meu marido ficou lá e eu vim pra Santo Antônio”, relatou.
Ela não descarta ingressar na justiça contra a empresa.



