Feminicídios deixaram ao menos 701 órfãos no RS em cinco anos

Os feminicídios registrados no Rio Grande do Sul deixaram ao menos 701 pessoas órfãs de mãe nos últimos cinco anos, entre elas 346 crianças e adolescentes, conforme dados da Polícia Civil. O cenário evidencia que a violência contra mulheres gera impactos que vão além da vítima direta e pressiona instituições públicas a ampliar ações de acolhimento a familiares atingidos.

Somente em 2025, quando 80 mulheres foram assassinadas por razões de gênero no Estado, 116 filhos ficaram órfãos, incluindo 59 menores de idade e 31 com idades entre quatro e 12 anos. O maior número de afetados ocorreu em 2022, quando 111 feminicídios resultaram em 219 órfãos, consolidando a dimensão social do problema.

No noroeste do Estado, uma jovem que perdeu a mãe assassinada pelo ex-companheiro relatou mudanças profundas na dinâmica familiar após o crime e a necessidade de assumir responsabilidades com os irmãos ainda crianças.

“Virou nossa vida completamente de cabeça para baixo”, afirmou.

Segundo ela, a ausência materna permanece presente no cotidiano e na reconstrução das relações familiares.
“A mãe era a única pessoa dentro de casa por nós”, declarou.

A promotora Ivana Battaglin, do Ministério Público do RS, avalia que o enfrentamento à violência precisa considerar também as vítimas indiretas. “Estamos num momento de evolução, em que estamos olhando, além das mulheres vítimas, para as vítimas indiretas”, afirmou.

Ela acrescenta que a perda “transforma completamente a vida dessas crianças e adolescentes”, defendendo políticas de acolhimento e acesso à pensão especial prevista em lei.

Com esse objetivo, o órgão lançou o projeto Pedros e Marias, voltado à busca ativa de órfãos de feminicídio e familiares dependentes das vítimas. A promotora Alessandra da Cunha explicou o foco da iniciativa.
“Essa é a pior forma de orfandade que temos”, afirmou.

Segundo ela, a proposta envolve suporte jurídico, encaminhamento psicológico e orientação para solicitação do benefício financeiro, com atenção especial aos casos em que os filhos também são descendentes do agressor.

O atendimento será realizado por meio de centrais distribuídas pelo Estado, incluindo unidades em Santo Ângelo e Uruguaiana, além de outras regiões.

Paralelamente, a legislação garante pensão especial aos filhos e dependentes em situação de baixa renda, solicitada ao INSS por representante legal mediante documentação e atualização cadastral.

O avanço dessas medidas busca mitigar impactos imediatos, mas reforça uma constatação recorrente: as consequências do feminicídio permanecem na vida de crianças, adolescentes e famílias que precisam reconstruir trajetórias após a violência extrema.

Com informações da GZH.

Maicon Schlosser

Jornalista

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