O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou as redes sociais nesta quinta-feira (18) para fazer um apelo direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: que suspenda a tarifa de 50% aplicada recentemente sobre produtos brasileiros e, em contrapartida, aplique sanções individuais contra autoridades brasileiras. A publicação gerou forte repercussão e foi apagada poucas horas depois.
Na postagem, que chegou a registrar mais de 70 mil visualizações antes de ser excluída, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro escreveu:
— O justo seria @realDonaldTrump suspender a taxa de 50% sobre importações brasileiras e meter sanção individual em quem persegue cidadãos e empresas americanas, viola liberdades, usa o cargo público para violar direitos humanos e implodir a democracia de um país para satisfazer seu próprio ego.
A declaração veio na esteira das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, após Trump anunciar a taxação de 50% sobre móveis brasileiros, justificando a medida com base em supostos ataques à democracia por parte de Jair Bolsonaro e seus aliados — entre eles, a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.
A reportagem da CNN procurou a assessoria de Flávio Bolsonaro para esclarecer o motivo da exclusão da publicação. A resposta foi que ele “achou melhor tirar; como já tinha uma primeira publicação, achou que era suficiente”.
O episódio ocorre em meio a um momento delicado para o clã Bolsonaro. Jair Bolsonaro foi alvo de operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (18) e teve medidas restritivas impostas pelo Supremo Tribunal Federal, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de uso de redes sociais e contato com outros investigados.
A fala de Flávio gerou críticas de opositores, que acusaram o senador de estimular interferência estrangeira em assuntos internos do país. Aliados também criticaram o tom da postagem, alegando que ela entrava em contradição com a narrativa defendida por outros expoentes da família, como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que defende as tarifas como um meio de pressão diplomática para reverter as penas contra Bolsonaro.



