Mulheres que procuraram atendimento emergencial no Hospital Ivan Goulart, durante os fins de semana, em São Borja, têm denunciado nas redes sociais a falta de estrutura e de exames básicos para gestantes em situações delicadas. Os relatos apontam a ausência de plantonistas especializados e a impossibilidade de realizar exames de imagem, como ultrassonografia, durante esse período — em alguns casos, as gestantes afirmam ter perdido os bebês por conta da falta do exame adequado.
O primeiro relato, feito no grupo Reclama São Borja, no Facebook, e que motivou outras manifestações, descreve o caso de uma gestante com um mês de gravidez que chegou ao hospital sangrando. Segundo ela, o médico de plantão afirmou que “não tinha o que fazer” e que apenas na segunda-feira poderia ser realizado ultrassom, pois o serviço não estaria disponível nos finais de semana.
Outras mulheres relataram experiências semelhantes. “Comigo foi o mesmo. Não me passaram para a maternidade porque não tinha 20 semanas completas. O médico que me examinou não achava os batimentos, não sabia se eram os meus ou do bebê. Foi minha quarta gestação. Fui para casa sem saber se minha filha estava viva ou não. Na segunda fiz exame no e depois continuei no particular. Resumindo: estava com descolamento de placenta. Tive que ficar de repouso.”
Outra paciente contou que perdeu a filha por conta do que chamou de negligência. “Disseram a mesma coisa para mim. Eu disse para a enfermeira que ia embora, mas que queria um papel assinado explicando por que estavam me mandando embora. Caso contrário, eu chamaria a polícia. Aí, bem ligeiro, apareceu o médico com outra postura. Até ultrassom fez.”
Um terceiro caso relata um episódio ocorrido em 2022. “Quando fui ao hospital com meu marido, sangrando muito, o Dr. sequer olhou minha barriga, nem meu bebê. Saímos desesperados até o “postão” do centro e lá fomos atendidos, mas já era tarde demais. Eu já tinha perdido meu bebê.”
Outro relato reforça a ausência de atendimento adequado aos domingos. “Final de semana não tem ninguém que faça ultrassom. Sei porque também cheguei num domingo sangrando. Fizeram um ultrassom em mim num equipamento velho, que constatou que meu bebê não tinha mais batimentos, e mandaram eu voltar na segunda para realmente ter certeza. Muito triste tudo isso.”
Mais um relato reforça a situação: “Já aconteceu comigo em 2023 e eu perdi os bebês. Não tem como fazer exame de imagem no final de semana em São Borja, não tem plantão.”
Até o momento, o Hospital Ivan Goulart não se pronunciou oficialmente sobre os relatos. Os depoimentos expõem preocupação com a estrutura de atendimento à gestante, especialmente nos fins de semana, e levantam questionamentos sobre os protocolos adotados pela instituição em casos de emergência obstétrica. A quantidade de relatos, com a mesma reclamação, também demonstram que este é um problema antigo e que ainda não foi solucionado.



