Humanos de São Borja | “Sou rico de saúde”: aos 88 anos, Crescêncio mantém rotina de fé e trabalho

De segunda a sexta-feira, Crescêncio da Silva Oliveira e a esposa acordam às quatro da manhã. É a hora de preparar a massa e o recheio dos pastéis que ele vende com alegria pelas ruas de São Borja. “Eu me levanto às quatro horas pra fazer a massa, fechar o pastel e fritar. Às oito eu já tô saindo. Até as dez horas, por ali, já vendi”, conta. Em um bom dia, ele chega a vender de quarenta a sessenta pastéis.

Aos 88 anos, este gaúcho nascido em Palmeiras das Missões mantém um vigor admirável. “Muita gente me dá cinquenta anos”, diz, entre risos. “Quase acertaram! Só faltou adicionar mais 38 anos”, brinca.

Crescêncio trabalha desde criança e fala da lida com orgulho. “Desde os seis anos eu trabalho. Trabalhei com meu pai carpindo, lavrando. Trabalhei na roça muitos anos. Depois fui pra firma, trabalhei em olaria, trabalhei em construtora, na barragem, em granja.”

O trabalho, para ele, sempre veio acompanhado da fé. Crescêncio lembra que, após ficar viúvo, precisou vender alguns hectares de terras que herdou do sogro.

“Não colocamos anúncio nem placa. Fizemos jejum e oração. Pensamos: se é vontade de Deus, o comprador vai aparecer”, relata. E foi assim que deu certo: ele esperou, confiou e viu a providência se cumprir.

A fé, diz, é prática diária que orienta decisões, protege a família e dá força para continuar a lida, mesmo nos dias mais difíceis.

Hoje, Crescêncio vive bem em São Borja. “Gostei muito daqui. Diziam que tinha gente ruim, mas eu só encontrei gente boa”, afirma, com o sorriso de quem se sente em casa. “Um povo muito receptivo”, completa, em relação aos são-borjenses.

Depois de ficar viúvo, Crescêncio se casou novamente. Hoje, a relação já chegou a 17 anos, e a esposa também é evangélica, compartilhando a fé que sempre guiou sua vida. “Deu certo”, afirma, com um sorriso tranquilo.

Hoje, ele divide o dia entre a religião, a família e o trabalho. “Graças a Deus, do que a gente precisa, não falta nada.”

Crescêncio se define como um homem abençoado. “Sou rico de saúde. Uma pessoa da minha idade, pra ter a saúde que eu tenho, olha, não é fácil.”

E fala com orgulho da família que construiu: “Tenho quatro filhos, oito netos, doze bisnetos e um casal de tataranetos. Já estão com seis meses cada um. Eu sou muito feliz. Já estou na quarta geração.”

Conhecido no centro da cidade por seus pastéis, mas também pela simpatia e bom humor, ele caminha devagar, mas com passos firmes, levando consigo a leveza de quem nunca perdeu o gosto de viver.

“Sou rico de saúde”, repete, orgulhoso. E quem cruza com ele pelas calçadas de São Borja percebe que essa riqueza vem da fé, do trabalho e da alegria de reconhecer o lado bom da vida.

Maicon Schlosser

Jornalista

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