A economia brasileira encerrou julho com sinais positivos: a inflação desacelerou e o desemprego recuou, segundo dados divulgados pelo IBGE e Banco Central. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,07% no mês, menor taxa para julho desde 2014, e a taxa de desocupação caiu para 7,1%, a mais baixa desde 2015. O resultado é atribuído à queda nos preços dos alimentos e combustíveis, além da retomada gradual da indústria e dos serviços.
Nos Estados Unidos, o cenário é oposto. O mercado de trabalho apresentou novos sinais de enfraquecimento, com o número de desempregados de longa duração atingindo o maior nível desde novembro de 2021, segundo o Washington Post. Dados do Departamento do Trabalho mostram que 1,97 milhão de pessoas recebiam seguro-desemprego no fim de julho — aumento em relação aos 1,85 milhão registrados em janeiro. Embora os pedidos iniciais de auxílio tenham subido apenas 7 mil na última semana, o ritmo de contratações segue no menor patamar em mais de uma década, desconsiderando o período da pandemia.
A situação é agravada pelo tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, que entrou em vigor na última quinta-feira (7), elevando impostos sobre importações e encarecendo custos para consumidores e empresas. Setores como varejo, construção e indústria suspenderam planos de expansão, enquanto empregos administrativos e corporativos permanecem estagnados.
O setor público também sente os efeitos: cortes de pessoal autorizados após decisão da Suprema Corte em julho devem continuar ao longo do ano, com impacto em outras áreas da economia. Em reação aos dados negativos, Trump demitiu, poucas horas após a divulgação do relatório, a chefe do Bureau of Labor Statistics, Erika McEntarfer, acusando — sem apresentar provas — de manipulação política nas estatísticas.
Em julho, a taxa de desemprego norte-americana subiu para 4,2%. Embora ainda baixa em termos históricos, revisões apontaram 258 mil vagas a menos do que o inicialmente divulgado para maio e junho, reforçando a percepção de fragilidade do mercado de trabalho. Analistas alertam que o aumento dos custos e a desaceleração da criação de empregos podem afetar o consumo interno e prolongar o período de instabilidade econômica nos EUA.



