O governo brasileiro revogou o visto de Darren Beattie, integrante da equipe do presidente norte-americano Donald Trump, que planejava viajar ao Brasil na próxima semana e visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. A decisão foi tomada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil após o Supremo Tribunal Federal barrar o encontro.
Bolsonaro está detido na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. A autorização para visitas depende de aval judicial, e o pedido apresentado pela defesa do ex-presidente acabou sendo negado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no STF.
Segundo fontes diplomáticas, a revogação do visto foi baseada no princípio da reciprocidade, comum nas relações internacionais. Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o caso e condicionou a entrada do assessor norte-americano no país à resolução de um impasse envolvendo o ministro da Saúde.
“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado”, afirmou Lula.
O episódio está ligado a uma decisão anterior do governo dos Estados Unidos que cancelou vistos da família do ministro Alexandre Padilha. O governo brasileiro interpretou a situação como um gesto diplomático que justificaria a aplicação do mesmo princípio.
A viagem de Beattie também gerou questionamentos dentro do Itamaraty sobre a finalidade da agenda no Brasil. Embora a embaixada norte-americana tenha informado que o assessor participaria de um fórum sobre “terras raras” e promoveria a agenda de política externa America First, diplomatas brasileiros consideraram que a visita a Bolsonaro poderia configurar ingerência em assuntos internos do país.
Antes da revogação do visto, o Itamaraty chegou a convocar o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos sobre a viagem.
Mesmo com o veto ao encontro na prisão, havia a previsão de que Beattie ainda se reunisse com o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e apontado como possível candidato à Presidência em 2026. A revogação do visto, porém, impede a entrada do assessor no país.



