Jayme Caetano Braun: 26 anos sem o payador que fez do verso a alma do gaúcho

Há exatos 26 anos, em 8 de julho de 1999, calava-se uma das vozes mais emblemáticas da cultura sul-rio-grandense. Jayme Caetano Braun, poeta, payador, radialista e defensor incansável da tradição gaúcha, faleceu aos 75 anos, em Porto Alegre. Sua morte interrompeu a presença física, mas não apagou a força de uma obra que segue viva nas estâncias, nas rodas de mate e nas emissoras de rádio do estado.

Nascido em 1924, na localidade de Timbaúva — então parte de São Luiz Gonzaga e hoje pertencente ao município de Bossoroca — Jayme tornou-se referência da poesia oral e da identidade missioneira. Descendente de imigrantes alemães por parte de pai e de tradicional família pecuarista por parte de mãe, construiu sua trajetória com os pés no campo e os olhos voltados para a cultura do sul.

Autodidata por vocação, sonhava em ser médico, mas fez da palavra sua maior ferramenta. Atuou como funcionário público, foi diretor da Biblioteca Pública do Estado e se notabilizou nos meios de comunicação, especialmente no rádio. Apresentou o programa Galpão de Estância, em São Luiz Gonzaga, e por muitos anos integrou o Brasil Grande do Sul, da Rádio Guaíba, onde semanalmente declamava versos sobre o homem campeiro, a natureza e os valores do Rio Grande.

Jayme teve vínculos marcantes com São Borja, sobretudo por meio de sua atuação política e literária. Em seus poemas, homenageou figuras como Getúlio Vargas — a quem dedicou “O Petiço de São Borja” — e Ruy Ramos, político e parente que o lançou nos palanques como payador, ainda nos anos 1950. Também teve proximidade com lideranças como João Goulart e Leonel Brizola, refletindo sua participação ativa no cenário cultural e político do Estado.

Publicou livros, gravou discos e percorreu o Rio Grande declamando seus versos, que mesclavam lirismo, crítica social e sabedoria popular. Fundador da Academia Nativista Estância da Poesia Crioula, ajudou a consolidar o movimento tradicionalista como expressão artística legítima, sempre valorizando a oralidade, a história regional e o modo de vida gaúcho.

Jayme morreu na véspera do lançamento de seu disco Êxitos 1, e seu corpo foi velado no Palácio Piratini, um gesto simbólico de reconhecimento à sua importância cultural. Ainda hoje, seus poemas e payadas seguem sendo referência de autenticidade, simplicidade e pertença.

Na data em que se recorda sua morte, Jayme Caetano Braun permanece como um dos grandes intérpretes da alma do gaúcho — não apenas pelo que disse, mas pelo que fez da palavra: um campo aberto à memória e à identidade de todo um povo.

Maicon Schlosser

Jornalista

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