O juiz federal aposentado Odilon de Oliveira, conhecido pela atuação contra o crime organizado na fronteira do Brasil com o Paraguai, afirmou estar há seis anos sem escolta policial e ingressou na Justiça para tentar garantir proteção. Responsável por prisões de chefes do tráfico, como Fernandinho Beira-Mar, ele viveu sob segurança permanente entre 1998 e 2019, mas perdeu a escolta um ano e meio após a aposentadoria.
Em entrevista à GloboNews Mais, nesta quinta-feira (18), Odilon disse que “implora ao Conselho Nacional de Justiça” desde então e relatou ter reunido 3 kg de documentos com ameaças, planos de execução e um atentado sofrido em Ponta Porã (MS).
Em 2017, a Revista Época divulgou que o PCC já ofereceu R$ 1,5 milhão a quem entregasse Odilon morto.,
“A gente trabalha a vida inteira nesse Brasil. Renuncia à liberdade, renuncia à vida, e a família fica presa dentro de casa. Quando se aposenta, o Brasil joga o juiz no lixo, como se fosse uma bucha de laranja. E ele fica fragilizado, à disposição da criminalidade que combateu a vida inteira”, afirmou.
O caso ganha repercussão após a execução do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo e secretário de Administração de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes — o terceiro servidor público executado em 22 anos por atuação direta contra facções criminosas. O crime, ocorrido na noite de segunda-feira (16), teve participação do Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite.
De acordo com Derrite, dois suspeitos já foram identificados e tiveram prisão temporária decretada: Flávio Henrique Ferreira de Souza, de 24 anos, e Felipe Avelino da Silva, conhecido como “Mascherano”, integrante do PCC na região do ABC paulista, onde Ruy Ferraz residia.
O ex-delegado foi morto a tiros de fuzil em Praia Grande, na Baixada Santista, após perseguição de carro. Criminosos o seguiram até ele bater em um ônibus, descerem do veículo e atirarem. Mais de 20 disparos atingiram o ex-delegado, incluindo braços, pernas e abdômen, segundo o atual delegado-geral de São Paulo, Artur Dian.
Odilon, por outro lado construiu a carreira em Ponta Porã, na fronteira seca com o Paraguai, onde ganhou notoriedade nacional no combate ao narcotráfico.
Dois projetos de lei em tramitação tratam de proteção a servidores que enfrentam o crime organizado: o PL Antimáfia, que prevê extensão da segurança mesmo após a aposentadoria, e o PL 1307/2023, que autoriza escolta pessoal para profissionais em áreas de fronteira.
Com informações do G1.



