O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (11) que poderá vetar o PL da Dosimetria caso o texto seja aprovado pelo Congresso Nacional. A proposta, que reduz as penas de condenados pela trama golpista, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, está em análise no Senado após passar pela Câmara dos Deputados.
Em entrevista à TV Alterosa, de Minas Gerais, Lula disse que evita interferir em assuntos internos de outro Poder, mas ressaltou que decidirá sobre o projeto quando ele chegar ao Planalto. “O Congresso Nacional está discutindo, agora vai para o Senado, sabe? Vamos ver o que vai acontecer. Quando chegar à minha mesa, eu tomarei a decisão. Então, agora, é o seguinte, deixa o Poder Legislativo se manifestar. Quando chegar na mesa do Poder Executivo, eu vou tomar minha decisão”, afirmou.
Foi a primeira vez que o presidente comentou publicamente o PL da Dosimetria. Questionado sobre a possível redução da pena de Bolsonaro, Lula foi direto: “Tem que pagar pela tentativa de golpe”. Ele reforçou que o ex-presidente precisa responder pelos atos de 8 de janeiro. “[Bolsonaro] tem que pagar pela tentativa de golpe, pela tentativa de destruir a democracia que ele fez nesse país. Ele sabe disso. Não adianta ficar choramingando agora”, declarou.
A proposta discutida no Congresso é vista como alternativa ao PL da Anistia. O relator na Câmara, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), calcula que a pena de Bolsonaro em regime fechado poderia cair para 2 anos e 4 meses, caso o texto avance. O ex-presidente, condenado a mais de 27 anos, está preso desde 22 de novembro na sede da Polícia Federal, em Brasília.
Lula também afirmou que Bolsonaro estaria em outra situação se tivesse reconhecido a derrota eleitoral em 2022.
“Se tivesse a mesma postura que eu tive quando perdi, hoje ele não estaria preso e poderia estar concorrendo às eleições”, disse.
O presidente ainda citou os planos atribuídos ao ex-mandatário. “Ele foi condenado a 27 anos e 3 meses de cadeia, sabe? Porque ele tentou fazer uma coisa muito grave, ele não fez brincadeira. Ele tinha um plano arquitetado para me matar, matar o Alckmin, o Alexandre de Moraes, ele tinha um plano para explodir um caminhão no aeroporto de Brasília, e ele tinha um plano de sequestrar o poder, já que ele perdeu as eleições”, completou.



