Conhecido mundialmente não só pelo talento nos gramados, mas também pelos episódios inusitados fora deles, o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho voltou a ter o nome associado a um caso inesperado. Desta vez, terrenos de sua propriedade, em Porto Alegre, passaram a integrar uma investigação do Ministério Público Federal (MPF) sobre a captação de cerca de R$ 330 milhões envolvendo o Banco Master.
Segundo as apurações, os imóveis teriam sido utilizados como lastro para a emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), mecanismo financeiro usado para antecipar recursos com base em créditos futuros, como financiamentos ou aluguéis. A operação teria ocorrido em agosto de 2023, envolvendo uma empresa de securitização e uma consultoria privada.
A investigação aponta que o Banco Master operava por meio de um fundo de investimento específico, utilizado para conceder empréstimos e repassar valores a uma gestora que acabou liquidada pelo Banco Central. Nesse contexto, os terrenos ligados ao nome de Ronaldinho aparecem como parte da estrutura financeira analisada pelos investigadores.
A defesa do ex-jogador, no entanto, nega qualquer irregularidade. Em nota, os advogados afirmam que não houve uso indevido dos imóveis e que existiram apenas negociações preliminares com empresas interessadas, que não avançaram em razão de pendências ambientais e débitos de IPTU.
Enquanto isso, o caso se soma a outros episódios que mantêm o nome de Ronaldinho frequentemente associado a situações fora do comum, desta vez, não por festas, viagens inesperadas ou aparições surpreendentes, mas por uma investigação de grande repercussão no sistema financeiro.
Em paralelo, o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, deverá prestar depoimento à CPMI do INSS, que apura possíveis irregularidades em contratos de empréstimos consignados. O depoimento foi reagendado para o fim de fevereiro, após pedido da defesa. Parlamentares alertam que a ausência poderá resultar em condução coercitiva.
Vorcaro também é investigado pela Polícia Federal, em apurações que envolvem suspeitas de fraudes financeiras e milhares de contratos consignados suspensos por falta de comprovação da autorização dos beneficiários.
As investigações seguem em andamento, e até o momento não há conclusão definitiva sobre a existência de crime nas operações que envolveram os imóveis e os instrumentos financeiros utilizados.



