Neste domingo de independência, cerca de 40 mil pessoas, segundo levantamento da Universidade de São Paulo (USP), ocuparam a Avenida Paulista em um ato convocado por líderes bolsonaristas, que foi marcado por discursos inflamados e pedidos de anistia. Um dos pontos altos foi discurso do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que abandonou de vez a imagem de moderado e assumiu a retórica mais radical do bolsonarismo. Em tom exaltado, atacou o Supremo Tribunal Federal, mirou o ministro Alexandre de Moraes, chamado por ele de “tirano” e afirmou que Jair Bolsonaro é “o único nome da direita”.
O ato ocorreu às vésperas da retomada, pelo STF, do julgamento em que o ex-presidente pode ser condenado por tentativa de golpe de Estado e mais quatro crimes, com penas que podem somar até 43 anos de prisão. Atualmente, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e está proibido de participar de eventos públicos, inclusive por vídeo, após descumprir medidas restritivas.
Em sua fala, Tarcísio classificou o processo como uma farsa: “E agora nós temos um julgamento de um crime que não existiu. Tentam criar uma narrativa: o 8 de janeiro foi uma tentativa de golpe de Estado.” Ele também insistiu na libertação de aliados e reforçou pedidos de anistia aos condenados.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) também discursou. Visivelmente emocionada, chorou ao falar das dificuldades da família, recordou o atentado a faca sofrido por Bolsonaro em 2018 e comparou o ato atual com o 7 de setembro de 2022, quando o então presidente discursou no Bicentenário da Independência. “Mais de 1 milhão de pessoas de bem estavam em Brasília para poder ouvir Jair Messias Bolsonaro falar. E hoje ele não pode falar”, disse.
Apesar da data cívica nacional, o ato exibiu uma bandeira gigante dos Estados Unidos, num contraste com a celebração da independência brasileira. Além disso, cartazes em inglês pediram que o presidente americano, Donald Trump, pressione o STF, enquanto faixas defenderam o impeachment de Alexandre de Moraes.
As manifestações foram embaladas por frases de efeito de Tarcísio, como “o bem sempre vence o mal”, repetidas em coro pelos apoiadores, além de ataques ao STF. Entre os presentes, o clima foi de comoção, com choro e orações em defesa de Bolsonaro.
Nas redes sociais, ministros do STF reagiram. Gilmar Mendes afirmou que a Corte tem “cumprido seu papel de guardião da Constituição e do Estado de Direito, impedindo retrocessos e preservando as garantias fundamentais”.
Segundo ele, “o que o Brasil realmente não aguenta mais são as sucessivas tentativas de golpe” e que crimes contra a democracia “são insuscetíveis de perdão” e devem ser punidos com rigor.
Com informações do UOL e g1.



