A disputa pelo governo do Rio Grande do Sul entra em uma nova fase neste fim de semana, quando MDB e PT realizam eventos separados para lançar seus pré-candidatos ao Piratini. Em lados opostos da tradição política gaúcha, as duas siglas pretendem mobilizar militantes, ajustar estratégias e fortalecer seus nomes antes da largada oficial da campanha de 2026.
De um lado, o MDB promove no sábado (29) seu congresso estadual no Clube Farrapos, em Porto Alegre, onde deve oficializar o vice-governador Gabriel Souza como pré-candidato ao governo. A sigla espera reunir mais de 1,5 mil filiados, movimentando ao menos 27 ônibus e 14 vans vindos do Interior e da Região Metropolitana. O encontro é tratado internamente como um ato de demonstração de força e unidade, após Gabriel enfrentar desconfiança em setores do partido devido ao desempenho modesto nas primeiras pesquisas.
O emedebista tenta consolidar sua liderança após a crise de 2022, quando venceu a convenção para disputar o Piratini, mas acabou apoiando a reeleição de Eduardo Leite (PSDB), assumindo a vaga de vice. A decisão rendeu atritos internos e parte da legenda atribuiu a Gabriel a redução no número de cadeiras do MDB no Legislativo estadual e federal. Agora, com o comando do diretório e apoio de figuras como o prefeito Sebastião Melo e o presidente nacional do partido, Baleia Rossi, Gabriel busca se firmar como candidato competitivo.
Apesar da mobilização, a definição da chapa ainda é incerta. O MDB deve usar a vaga de vice e uma das candidaturas ao Senado como moeda de articulação com possíveis aliados. A indefinição de Eduardo Leite, que sinaliza não ter interesse em disputar o Senado, também altera cálculos internos e pode afetar a estratégia de Gabriel para se projetar na disputa.
No domingo (30), é a vez do PT realizar seu 24º encontro estadual, no Hotel Embaixador, também na Capital. O partido pretende homologar o nome de Edegar Pretto, presidente da Conab, para disputar novamente o governo do Estado. Em 2022, Pretto ficou a apenas 2.441 votos de ir ao segundo turno, e hoje mantém apoio majoritário entre os delegados. No entanto, uma ala do partido demonstra simpatia por uma aliança com Juliana Brizola (PDT), movimento incentivado pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, junto à cúpula petista e ao presidente Lula.
Para evitar ruídos, o PT tenta reforçar a musculatura de Pretto no Estado. A sigla já discute a antecipação de sua saída da Conab, permitindo que ele utilize os próximos meses para entregas e agendas pelo agronegócio antes de pedir exoneração e mergulhar na pré-campanha a partir de fevereiro. Além da candidatura ao governo, o partido também deve anunciar neste domingo seu pré-candidato ao Senado.
Com Luciano Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT) já lançados, o xadrez eleitoral gaúcho começa a ganhar forma. MDB e PT, protagonistas históricos da política estadual, dão o primeiro passo para uma disputa que promete ser uma das mais acirradas dos últimos anos.
Com informações GZH.



