Os ministros André Fufuca (Esportes) e Celso Sabino (Turismo) desafiaram nesta quarta-feira (8) as direções nacionais de seus partidos e anunciaram que continuarão no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contrariando a determinação do Progressistas (PP) e do União Brasil para que deixassem seus cargos.
O movimento provocou reações imediatas. O PP anunciou o afastamento de Fufuca de todas as atividades partidárias e da vice-presidência nacional da legenda. Segundo nota assinada pelo presidente do partido, Ciro Nogueira, o ministro “desobedeceu orientação da Executiva Nacional” e, por isso, também será retirado do comando do diretório estadual no Maranhão.
“O partido reitera o posicionamento de que não faz e não fará parte do atual governo, com o qual não nutre qualquer identificação ideológica ou programática”, diz o comunicado divulgado pelo Progressistas.
No caso de Celso Sabino, o União Brasil avalia abrir um processo de expulsão por infidelidade partidária. A direção nacional da legenda se reúne nesta quarta-feira para discutir o tema. O ministro, que está há mais de dois anos à frente da pasta do Turismo, havia sinalizado a intenção de deixar o cargo no fim de setembro, mas recuou e afirmou que permanecerá no governo até o ano que vem.
A permanência de Sabino também tem relação com a realização da COP30, prevista para novembro, no Pará — estado de origem do ministro. Ele pretende acompanhar a preparação e a realização do evento antes de eventual saída do cargo.
A determinação para que filiados do PP e do União Brasil deixassem o governo foi aprovada em setembro, dentro da estratégia das legendas de se afastar politicamente do Palácio do Planalto antes das eleições de 2026.
A decisão foi reforçada após a divulgação de reportagens que associaram o presidente do União Brasil, Antonio de Rueda, ao Primeiro Comando da Capital (PCC) — ligação negada por ele — e após críticas de Lula ao dirigente durante uma reunião ministerial em agosto.
Com os anúncios desta quarta-feira, tanto Fufuca quanto Sabino ampliam a crise entre os partidos do chamado “centrão independente” e o governo federal, reacendendo disputas internas que devem ter reflexos diretos na montagem das alianças para as próximas eleições.



