O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou a exumação do corpo do cão comunitário Orelha e a realização de novas diligências no inquérito que apura as agressões que levaram à morte do animal, registrada em janeiro na Praia Brava, em Florianópolis. A medida foi divulgada na terça-feira (10) após análise do material reunido pela Polícia Civil e dos boletins de ocorrência circunstanciados relacionados ao caso.
O pedido integra a avaliação de que há necessidade de aprofundar as investigações. O Tribunal de Justiça informou que não pode confirmar se a solicitação será acatada, pois o processo tramita sob sigilo.
O inquérito policial foi concluído em 3 de fevereiro e apontou um adolescente como responsável pelas agressões, com pedido de internação. Três adultos também foram indiciados por suspeita de coação no curso do processo.
Segundo a polícia, não existem imagens nem testemunhas do momento exato das agressões. Um laudo indireto, baseado no atendimento veterinário, indicou que a morte foi causada por golpe contundente na cabeça.
A promotoria solicitou novos depoimentos e diligências para apurar possíveis tentativas de intimidação durante a investigação, além de defender o retorno do sigilo processual diante do envolvimento indireto de adolescentes.
Outra frente do Ministério Público requisitou aprofundamento de apurações ligadas a quatro boletins circunstanciados, incluindo análise de vídeos sobre atos infracionais e registros envolvendo cães.
No caso específico da morte de Orelha, foi requerida, se possível, a exumação para perícia direta. Após o cumprimento das diligências, a Polícia Civil deverá devolver o inquérito ao órgão, que decidirá sobre eventual denúncia.
Paralelamente, a conduta do delegado-geral da Polícia Civil catarinense, Ulisses Gabriel, passou a ser alvo de procedimento preparatório instaurado pelo Ministério Público, que avalia a necessidade de medidas judiciais a partir de representações recebidas. Ele afirmou não ter sido notificado e negou responsabilidade pela investigação.
Orelha foi encontrado ferido em 4 de janeiro sob um carro e morreu no dia seguinte após atendimento veterinário. Considerado um cão comunitário cuidado por moradores da região, o caso mobilizou protestos e levou à oitiva de 24 testemunhas e à investigação de oito adolescentes. Desde então, episódios paralelos, como denúncias de ameaça e coação, passaram a ser apurados separadamente pelas autoridades.
Com informações MPSC.



