Na semana passada, a Prefeitura de São Borja anunciou, com grande solenidade, a renovação da frota municipal. Ao todo, 29 veículos foram entregues às secretarias, com destaque para Saúde, Educação e Obras, prometendo agilizar serviços e melhorar a logística da cidade.
No entanto, como costuma acontecer nesta cidade curiosa, logo surgiram perguntas: quem é a empresa responsável por essa frota? Quanto custou cada veículo? E como se dá o contrato que garante os carros ao município?
O Contrato nº 148/2023/SMPOP/DCL, assinado em outubro de 2023, estabelece a prestação de serviços de locação de veículos pela Transvepar Transportes e Veículos Paraná Ltda. (CNPJ 76.669.670/0001‑67), especializada em locação para prefeituras e órgãos públicos. Conforme divulgado pelo poder público na época, o projeto de locação de veículos visava otimizar os recursos municipais, prevendo uma economia de mais de R$ 1,8 milhão em custos de manutenção. Naquele ano, a cidade recebeu uma frota de 26 veículos.
“A ação demonstra o compromisso em buscar alternativas eficientes para garantir uma gestão adequada dos recursos públicos, beneficiando diretamente as áreas impactadas por essa locação. Além de representar mais segurança e qualidade nos serviços”, avaliou o prefeito Eduardo Bonotto na ocasião.
A Transvepar Transportes e Veículos Paraná Ltda. (CNPJ 76.669.670/0001‑67) foi fundada em 1969, em Curitiba (PR), inicialmente atuando com reparação de veículos e comércio de derivados de petróleo. Com o tempo, especializou-se em locação de frotas para órgãos públicos e prefeituras, oferecendo manutenção, seguro e renovação periódica dos veículos. Ao longo das décadas, consolidou-se como uma fornecedora conhecida no setor de locação de veículos em diversos estados do país.
O contrato original prevê um investimento anual de até R$ 2.749.998,96 e inclui três tipos de veículos listados separadamente:

Os números indicados na aba de unidades parecem maiores do que a frota efetivamente entregue (26 veículos em 2023 e 29 neste ano), mas podem representar o custo total da locação ao longo do contrato anual ou um padrão contábil usado para cálculo de serviços, e não necessariamente a entrega física de cada veículo.
O contrato de 2023 foi prorrogado no final de 2024 até 3 de outubro de 2025 pelo então Prefeito Bonotto, por meio do Primeiro Aditivo, que também aplicou reajuste de 3,95%.
Em 2025, o Segundo Aditivo, assinado pelo atual Prefeito José Luiz Rodrigues Machado, alterou cláusulas do contrato, possivelmente ajustando condições relacionadas à frota ou aos serviços de locação.
O contrato original prevê reajustes anuais pelo IPCA e possibilita reequilíbrio econômico-financeiro, mas não estabelece renovação automática da frota.
O segundo aditivo cita memorandos internos (nº 194/SMS/2025 e 72/2025) e parecer jurídico favorável (nº 185/2025/licitações) como base para as alterações. Esses documentos não foram encontrados em domínio público, mas indicam que houve análise administrativa e jurídica antes da modificação do contrato. Para acesso completo a esses materiais, o Fronteira 360 deverá recorrer à Lei de Acesso à Informação, buscando detalhes oficiais sobre as mudanças.
A manutenção dos veículos é de responsabilidade da empresa, conforme informado pela Prefeitura, garantindo que os carros permaneçam operacionais durante toda a locação.
O Fronteira 360 também entrou em contato com o gabinete do Prefeito para buscar informações adicionais, como custos individuais dos veículos e detalhes do contrato, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.
Assim, enquanto alguns dados estão disponíveis publicamente, respostas completas sobre o contrato e seus aditivos só poderão ser obtidas oficialmente via pedido formal à Lei de Acesso à Informação, garantindo acesso aos documentos que detalham valores, prazos e condições da frota.



