Em meio a escândalos de corrupção e a um cenário econômico delicado, o partido A Liberdade Avança, do presidente Javier Milei, conquistou uma vitória expressiva nas eleições legislativas realizadas neste domingo (26/10) na Argentina. A legenda ultraliberal obteve 40,8% dos votos, elegendo 64 deputados e 13 senadores, o que consolida o avanço do governo no Congresso.
A aliança peronista Força Pátria ficou em segundo lugar, com 34,8% dos votos e 31 cadeiras na Câmara, seguida pelo grupo Províncias Unidas (7,4%, com cinco vagas) e pela Frente de Esquerda (3,71%, com três vagas). No Senado, o Força Pátria somou 36,9% dos votos e conquistou seis assentos.
A eleição foi marcada pela maior abstenção desde o retorno da democracia argentina, em 1983. Segundo a Câmara Nacional Eleitoral, 34% dos eleitores — cerca de 12,2 milhões de pessoas — não compareceram às urnas, apesar do voto ser obrigatório para 36 milhões de argentinos. A participação foi de 67,8%, inferior aos 71,7% registrados em 2021.
O resultado reforça o poder político de Milei, que vinha enfrentando pressões internas e externas. O governo foi abalado por denúncias envolvendo José Luis Espert, ex-candidato do partido, investigado por ligação com o narcotráfico, e por suspeitas de suborno na Agência Nacional de Deficiência (ANDIS), que atingiram até Karina Milei, irmã e chefe de gabinete do presidente.
Mesmo assim, o resultado fortalece o governo junto a aliados internacionais, em especial aos Estados Unidos. Na véspera da votação, o presidente Donald Trump — que recentemente liberou US$ 20 bilhões em ajuda ao país — condicionou o apoio à vitória do aliado argentino. “Se ele ganhar, continuaremos com ele. Se não ganhar, vamos embora”, declarou.
Com a nova configuração do Congresso, o Liberdade Avança passa de 37 para 92 deputados, o que não garante maioria absoluta, mas facilita a aprovação de projetos-chave, como as reformas econômicas e fiscais defendidas por Milei. Além disso, o partido passa a ter poder suficiente para impedir a derrubada de vetos presidenciais, o que reforça a estabilidade política do governo.
Em discurso a apoiadores em Buenos Aires, o presidente comemorou o resultado com tom triunfante:
“Foi um dia histórico para a Argentina. O povo argentino resolveu deixar para trás 100 anos de decadência e persistir no caminho da liberdade, do progresso e do crescimento. Hoje começa a construção da Argentina grande.”
Ovacionado, Milei acrescentou:
“Os argentinos deram um basta ao populismo. Populismo nunca mais.”
A vitória consolidou o domínio do partido nas principais províncias do país, incluindo Buenos Aires, onde Milei havia sido derrotado em eleições locais no mês passado.
A imprensa argentina classificou o desempenho como “surpreendente” e “impactante”. O jornal La Nación destacou uma “vitória esmagadora em todo o país”, que reposiciona Milei como uma das lideranças mais influentes da política latino-americana neste momento.



