O deputado Paulo Pimenta (PT) participou, nesta quinta-feira (15), de um encontro com entidades representativas do setor arrozeiro de Camaquã e da região da Costa Doce, durante café da tarde realizado na sede da Cooperativa de Cereais de Camaquã (Coopac). A Costa Doce abrange cerca de 20 municípios e é uma das principais regiões produtoras de arroz do Rio Grande do Sul, com papel estratégico na geração de empregos, renda e segurança alimentar.
O convite ao parlamentar partiu da Associação dos Arrozeiros, do Sindicato Rural de Camaquã e Arambaré, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, da Associação dos Usuários do Arroio Duro (AUD) e da Coopac, que opera na antiga estrutura da Cesa. O encontro reuniu produtores, cooperativas e representantes sindicais, com foco na crise de rentabilidade da orizicultura regional.
Durante a reunião, as lideranças apresentaram a realidade econômica enfrentada pelos produtores. Segundo dados das entidades, o custo de produção do arroz na região de Camaquã varia entre R$ 80 e R$ 90 por saca de 50 quilos, enquanto o preço pago ao produtor gira em torno de R$ 55. A diferença, segundo o setor, compromete a sustentabilidade da atividade e amplia o endividamento no campo.
Entre as principais demandas levadas ao deputado estão a revisão do preço mínimo do arroz, o impacto da alta dos custos de produção, os efeitos das importações e a concorrência com países vizinhos que utilizam produtos fitossanitários proibidos no Brasil. Também foram debatidas políticas para ampliar as exportações, fortalecer o seguro agrícola e melhorar a produtividade sem elevar custos.
As entidades defenderam respostas rápidas, compatíveis com o calendário agrícola, para que as medidas tenham efeito já nas próximas safras.
Paulo Pimenta comprometeu-se a articular, nos próximos dias, uma reunião das entidades do setor com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e com a diretoria da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Brasília.
Segundo o deputado, o objetivo é garantir que o diálogo resulte em encaminhamentos concretos sobre política de preços, estoques reguladores e mecanismos de apoio ao produtor.
“Vou conversar com o ministro da Agricultura para organizarmos uma reunião que gere resultados para as entidades que representam o setor do arroz aqui em Camaquã e na Costa Doce”, afirmou.
Durante o encontro, Pimenta também explicou que protocolou duas Propostas de Fiscalização e Controle (PFCs) na Câmara dos Deputados para apurar possíveis irregularidades na renegociação de dívidas do crédito rural por instituições financeiras que operam com recursos públicos.
As propostas, apresentadas em 19 de dezembro, solicitam a atuação do Tribunal de Contas da União (TCU) para verificar se bancos públicos, privados e cooperativas estão cumprindo as regras do Manual de Crédito Rural, editado pelo Banco Central.
“Isso é um recurso do Tesouro que os bancos operam cobrando taxa de administração e spread, mas com contrapartidas claras. O que há é um conjunto de denúncias de que essas regras não estão sendo observadas”, argumentou o deputado.
Segundo Pimenta, produtores que sofreram perdas por eventos climáticos, como secas e enchentes, e que têm direito legal ao alongamento das dívidas, estariam sendo obrigados a contratar novos empréstimos, com juros mais altos. “Trata-se de cumprir a lei e proteger quem produz”, reforçou.
Ao final da visita, o parlamentar conheceu o trabalho de irrigação desenvolvido pela AUD e a gestão da Coopac. Pimenta também manifestou interesse em visitar a barragem do Arroio Duro, considerada estratégica para ampliar a segurança hídrica e beneficiar diversos municípios da Costa Doce.
A reunião de Pimenta com entidades representativas do setor arrozeiro demonstra a confiança dos produtores no capacidade de articulação do parlamentar e de sua atuação ao longo dos anos em defesa do agronegócio gaúcho, na contramão de informações infundadas que circulam nas redes sociais e que tentam ligar o deputado a um suposto esquema que lesou arrozeiros na região da Fronteira Oeste.



