A segunda-feira parecia rotineira na Câmara Municipal de São Borja, até que uma interpretação de bastidor ganhou corpo e virou manchete: segundo o líder do Governo, Lindolfo Hardt (PP), haveria “tratativas” para aproximar a administração municipal do PDT, ou vice-versa.
A Rádio Cultura FM publicou que “a base governista e o PDT possuíam negociações avançadas para fechar aliança”. Em minutos, a manchete se espalhou, incendiou os corredores da Casa do Povo e transformou um intervalo de sessão em combustível para especulações de todos os tipos.
O líder do Governo, Lindolfo Hardt (PP), deu ainda mais fôlego ao rumor ao admitir publicamente que algo estaria se movendo nos bastidores: “há conversas de aproximação entre os partidos.” Mesmo assim, ele reconheceu que não havia unanimidade dentro da própria base.
Seria o fim de qualquer resquício de oposição em São Borja? A formação de uma grande frente ampla de apoio irrestrito e contínuo ao Prefeito José Luiz, o Boca?
Não é o que afirma o líder da bancada do PDT na Câmara.
Procurado pelo Fronteira 360 para esclarecer a situação, Valério Cassafuz, rejeitou completamente a narrativa e explicou que a foto usada para sustentar a história não passa de um registro tirado em momento de descontração:
“A foto foi feita durante a suspensão dos trabalhos, num momento de brincadeira. Não existe negociação avançada nenhuma para formar aliança do PDT com a atual administração”.
Cassafuz ainda reforçou que a posição do partido continua inabalável:
“Nós estamos fazendo nosso trabalho como vereadores de oposição, de forma responsável, crítica, e assim vamos continuar”.
O vereador ainda reforçou que o caso surgiu uma brincadeira e que o “autor tirou uma foto e fez essa postagem de forma equivocada”.
Outra voz firme na negativa foi a do vereador Matteus Bronzoni (PDT), que classificou a especulação como totalmente infundada.
“Não procede. Não houve nenhuma tratativa para o PDT integrar a base do governo, e isso não é do interesse da bancada nem do partido”, disse ao Fronteira 360.
A possibilidade, ainda que apenas especulada, de uma aproximação entre PDT e governo municipal teria força para redesenhar o cenário político de São Borja. Por isso, a repercussão foi imediata e ruidosa. Na política, “aliança” não costuma ser apenas o conjunto de esforços em comum, mas apoio e defesa dos mesmos interesses, o que certamente não combina com “oposição”.
Talvez por isso a posição oficial do maior bloco oposicionista da Câmara foi categórica, ao afirmar que não há conversas, não há tratativas e não há a menor intenção de integrar a base governista. Cassafuz resumiu a situação ao Fronteira 360: “Não existe nenhuma possibilidade, até porque pensamos totalmente o contrário de como vem atuando essa administração”.



