A Promotora Criminal Rochelle Jelinek apresentou um panorama alarmante sobre a criminalidade em Alegrete, com destaque para o avanço dos crimes sexuais contra crianças. Em entrevista à Rádio Minuano FM 97,5 ela informou que a pedofilia já é o terceiro crime mais recorrente no município, superado apenas pelo tráfico de drogas e pelos furtos, com um índice acima da média nacional.
Os dados revelam que a violência sexual ocorre, em grande parte, dentro do ambiente familiar. Cerca de 86% dos agressores são parentes das vítimas, como pais, padrastos, avós e tios. As vítimas, geralmente, têm entre 4 e 10 anos, idade em que a criança depende integralmente do círculo de confiança que deveria protegê-la.
A Promotora destacou ainda que o crime sexual abrange uma variedade de condutas, incluindo toques indevidos, masturbação na presença da criança e exposição à pornografia. Apesar da gravidade, apenas 7% dos casos são denunciados, e muitas famílias, mesmo sabendo da situação, escolhem proteger o agressor em vez da vítima.
Diante da baixa taxa de denúncias e da elevada incidência dos casos, Rochelle Jelinek reforçou a importância da responsabilidade coletiva. Denúncias podem ser feitas anonimamente pelo Disque 100, e profissionais como médicos, enfermeiros e professores têm o dever legal de comunicar qualquer suspeita às autoridades.
O cenário demonstra a urgência de ações preventivas, conscientização e fortalecimento das redes de proteção para enfrentar um problema que, segundo a Promotora, está instalado dentro dos lares alegretenses.



