O relatório encaminhado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) indica indícios de possíveis crimes envolvendo o ministro Dias Toffoli no contexto das investigações sobre fraudes atribuídas ao Banco Master, enquanto mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro mencionariam intimidade e referências a pagamentos ao magistrado. As informações foram divulgadas em reportagens da revista piauí e do programa CNN Prime Time, da CNN Brasil.
Segundo a piauí, o documento enviado ao presidente do STF, Edson Fachin, foi produzido com base no artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura, procedimento adotado quando surgem indícios de possível crime envolvendo um magistrado, e não apenas dúvidas sobre sua imparcialidade no caso.
O material, mantido sob sigilo, reuniria evidências obtidas na investigação e teria cerca de duzentas páginas.
No telejornal da CNN, o jornalista Caio Junqueira relatou que fontes com acesso às mensagens apontam dois conjuntos de conteúdo: um indicando proximidade pessoal entre Vorcaro e Toffoli e outro citando diálogos que fariam menções a pagamentos envolvendo o nome do ministro.
Também apareceriam referências a Fabiano Campos Zettel em conversas relacionadas ao tema. Zettel foi o maior doador pessoa física da campanha de Jair Bolsonaro em 2022, além de financiador relevante da candidatura de Tarcísio de Freitas. Ele é empresário, pastor da Igreja Lagoinha em Belo Horizonte e casado com uma irmã de Vorcaro.
Registros eleitorais indicam transferências de R$ 3 milhões à campanha presidencial e R$ 2 milhões à disputa paulista naquele pleito. Reportagens também citam sua participação em transações financeiras ligadas a negócios envolvendo familiares do ministro e o banco.
Em notas oficiais, Toffoli negou irregularidades, afirmou desconhecer relação de amizade íntima com Vorcaro e declarou jamais ter recebido valores dele ou de Zettel, reconhecendo apenas recursos oriundos da venda de cotas familiares de um empreendimento.
Segundo o blog da jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil, o presidente do STF encaminhou ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, o relatório da PF com menções ao ministro e as explicações apresentadas por ele.
A PGR deve avaliar eventual manifestação sobre a suspeição do magistrado, sem prazo definido.
Ainda conforme a apuração, Fachin reuniu ministros para compartilhar informações do caso, enquanto a perícia apontou mensagens que mencionariam supostos pagamentos e relatos sobre transferência milionária investigada.
A condução do processo e decisões do relator, incluindo medidas sobre custódia de provas, geraram reações dentro da própria Polícia Federal, ampliando a tensão institucional em torno do episódio.
As informações relatadas não constituem conclusão definitiva das investigações e seguem sob análise das autoridades competentes.



