A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (10) a Operação Eyeless, que desmontou um sofisticado sistema clandestino de vigilância mantido por uma organização do tráfico no bairro do Passo. A ação mobilizou PF, Brigada Militar e Polícia Civil, resultando no cumprimento de 27 mandados de busca e apreensão e na retirada de cerca de 30 câmeras usadas pelos criminosos para vigiar a atuação das forças de segurança.
Segundo o delegado Leonardo Longen, que detalhou o trabalho investigativo em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, a apuração começou meses atrás, após o compartilhamento de informações entre PF, Brigada Militar, Polícia Civil e Ministério Público. As equipes identificaram que diversas câmeras estavam instaladas de forma dissimulada em residências e postes, não para proteção patrimonial, mas para monitorar vias públicas e antecipar ações policiais.
Com apoio técnico da Polícia Federal, foram mapeadas coordenadas e analisados ponto a ponto os dispositivos suspeitos. Após duas a três semanas, os investigadores conseguiram separar os equipamentos regulares dos que estavam a serviço da organização criminosa. Com os elementos reunidos, a Polícia Federal representou à Justiça, que autorizou a retirada imediata das câmeras, por meio da 1ª Vara Criminal da Comarca de São Borja.
Longen destacou que o esquema permitia que criminosos acompanhassem operações em tempo real, comprometendo a eficácia das investigações e elevando o risco para policiais em campo. “Restabelecemos agora a normalidade das atuações das forças de segurança, que voltam a agir sem serem observadas ou monitoradas por criminosos”, afirmou o delegado.
O delegado Erico Rodrigues explicou que os investigados empregavam “técnicas avançadas para monitorar a atuação estatal e criar precisamente um ambiente de intimidação”, interferindo diretamente na eficácia da repressão criminal.
O delegado afirmou ainda que a atuação integrada entre Polícia Federal, Polícia Civil e Brigada Militar foi determinante para desmantelar o sistema: “Essa atuação coordenada é de fundamental importância para neutralizar as ações desses grupos criminosos.”
Os equipamentos apreendidos serão periciados para identificar conexões, responsáveis e a abrangência da estrutura de vigilância.



