A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) uma nova fase da Operação Sem Desconto e colocou no centro da investigação o senador Weverton Rocha (PDT-MA), o secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, e Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O grupo é suspeito de participação em um esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao todo, a PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) cumprem 52 mandados de busca e apreensão, 16 mandados de prisão preventiva e outras medidas cautelares nos estados de São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão, além do Distrito Federal. O senador Weverton Rocha foi alvo de mandados de busca e apreensão.
O secretário-executivo da Previdência, Adroaldo Portal, foi afastado do cargo e teve a prisão domiciliar decretada pela Justiça. Ele é ex-chefe de gabinete do senador Weverton. Nesta fase, a PF também prendeu Romeu Carvalho Antunes e Éric Fidélis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidélis.
Segundo as investigações, os suspeitos integravam um esquema que realizava descontos mensais irregulares diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas, sem autorização dos titulares. Os valores eram retirados como se os beneficiários tivessem se associado a entidades de classe, o que, de acordo com a apuração, não ocorreu.
As associações envolvidas alegavam prestar serviços como assistência jurídica e oferecer convênios com academias e planos de saúde, mas não possuíam estrutura para atuar. Ao todo, 11 entidades foram alvo de medidas judiciais, e os contratos que autorizavam os descontos foram suspensos.
O caso veio a público em 23 de abril, na primeira fase da operação, e provocou uma crise no Ministério da Previdência. O então ministro Carlos Lupi (PDT) pediu demissão após o avanço das investigações. Ele foi substituído por Wolney Queiroz, que era secretário-executivo da pasta e assumiu o comando do ministério.
Em julho, o governo federal anunciou a devolução dos valores descontados indevidamente de aposentados e pensionistas. A restituição está sendo feita em parcela única e sem ordem de prioridade. O prazo para contestar descontos não autorizados foi prorrogado, e os beneficiários têm até 14 de fevereiro de 2026 para solicitar o ressarcimento.
A contestação pode ser realizada exclusivamente por três canais: o aplicativo ou site Meu INSS, no serviço “Consultar Descontos de Entidades Associativas”; a Central 135, com ligação gratuita de segunda a sábado, das 7h às 22h; e os Correios, que oferecem atendimento assistido e gratuito em mais de 5 mil agências em todo o país.
A Polícia Federal segue apurando a participação de agentes públicos e privados no esquema, o fluxo dos recursos e a extensão dos prejuízos causados aos beneficiários da Previdência Social.



