A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu, nesta terça-feira (3), a investigação que apurou a morte do cão comunitário conhecido como Orelha e os maus-tratos sofridos por outro animal, o Cão Caramelo, em Florianópolis. Diante da gravidade dos fatos, a corporação solicitou à Justiça a internação de um adolescente apontado como responsável pelo ataque que resultou na morte de Orelha.
As apurações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), com apoio de uma força-tarefa envolvendo diferentes órgãos de segurança pública do Estado. No caso relacionado ao Cão Caramelo, quatro adolescentes foram representados por atos infracionais. Já no episódio envolvendo Orelha, além do pedido de internação do adolescente investigado, três adultos foram indiciados por coação a testemunha.
O ataque ao Cão Orelha ocorreu na madrugada do dia 4 de janeiro, na região da Praia Brava, no Norte da Ilha. O animal foi encontrado ferido horas depois e não resistiu, mesmo após atendimento veterinário. Laudos técnicos indicaram que as lesões foram causadas por impacto contundente.
Para esclarecer os fatos, a Polícia Civil analisou mais de mil horas de imagens captadas por câmeras de monitoramento, ouviu dezenas de testemunhas e reuniu provas técnicas, incluindo vestimentas utilizadas no dia do ocorrido e dados de localização obtidos por meio de tecnologia especializada. Contradições nos depoimentos e o cruzamento das informações foram determinantes para a identificação do autor.
Durante a investigação, o adolescente deixou o país no mesmo dia em que a polícia avançava na identificação dos suspeitos, retornando apenas no final de janeiro, quando foi abordado pelas autoridades no aeroporto. A Polícia também apurou tentativas de ocultação de provas, o que reforçou os elementos reunidos no inquérito.
Concluídos os procedimentos, os casos foram encaminhados ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para as providências cabíveis. A Polícia Civil destacou que a investigação seguiu rigorosamente o que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e que novas informações ainda podem surgir a partir da análise de dados extraídos de aparelhos apreendidos.



