A Polícia Civil de Minas Gerais investiga o desaparecimento de cerca de 220 armas de fogo que estavam sob a guarda da instituição. O caso veio à tona após policiais flagrarem um suspeito portando um armamento que já havia sido apreendido anteriormente em outra ocorrência.
A partir da descoberta, uma apuração interna revelou que diversas armas que deveriam estar armazenadas na 1ª Delegacia do Barreiro, em Belo Horizonte, haviam sumido. A servidora Vanessa de Lima Figueiredo foi presa neste domingo (9), sob suspeita de envolvimento direto no esquema.
De acordo com as investigações, Vanessa teria revendido armas a integrantes de facções criminosas e utilizado o dinheiro obtido para comprar dois carros de luxo e realizar procedimentos estéticos.
Embora a Polícia Civil não tenha detalhado os modelos dos armamentos, foi informado que se tratam, em sua maioria, de armas de baixo calibre, muitas delas consideradas obsoletas. O desaparecimento foi identificado em uma ocorrência de rotina em Contagem, quando agentes constataram que uma arma apreendida constava no sistema como já confiscada e guardada em delegacia. Uma checagem mais ampla revelou o sumiço de centenas de outras peças.
A Corregedoria da Polícia Civil conduz o caso e informou que o procedimento está em “estágio avançado”. Em vídeo divulgado à imprensa, o delegado-geral Rômulo Dias afirmou que a instituição “reforça seu compromisso com a transparência, a responsabilidade e o rigor na apuração dos fatos, reafirmando a confiança da sociedade”.
Falta de estrutura pode ter contribuído para o desvio
O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol) apontou que o caso é resultado direto da ausência das Centrais de Cadeia de Custódia — estruturas previstas desde o Pacote Anticrime de 2019 e que deveriam concentrar e controlar todos os materiais apreendidos.
Segundo o presidente do Sindpol, Wemerson Oliveira, a inexistência dessas unidades facilita o extravio de armas e outros objetos.
“Essas armas não deveriam estar armazenadas em delegacias. Até hoje a Polícia Civil não liberou verba para a construção da central, que ficaria sob responsabilidade do Instituto de Criminalística”, afirmou.
Até a última atualização, a Polícia Civil e o governo de Minas Gerais não haviam se manifestado sobre as alegações do sindicato.



