A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira (1º), uma operação contra um grupo criminoso acusado de aplicar golpes milionários pela internet utilizando vídeos com tecnologia deepfake de celebridade, que usa recursos de inteligência artificial para simular a voz e a aparência de pessoas conhecidas, como celebridades ou políticos, fazendo com que pareçam dizer ou fazer coisas que nunca aconteceram.
Entre as personalidades cujas imagens foram falsificadas estão Gisele Bündchen, Angélica Huck, Juliette, Maísa e Sabrina Sato. Até o momento, quatro pessoas foram presas.
Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e nove de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias, criptoativos, investimentos e veículos de luxo.
No total, 21 ativos foram bloqueados e 10 carros de alto padrão, incluindo Porsche Cayenne e Range Rover Velar, tiveram sequestro judicial. As ações ocorreram em cinco estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Bahia e Pernambuco.
Segundo a investigação, os criminosos usavam perfis falsos em redes sociais para divulgar campanhas fraudulentas. Em um dos casos, um vídeo manipulado mostrava Gisele Bündchen anunciando supostas malas de viagem gratuitas, cobrando apenas o valor do frete.
O preço era baixo — R$ 44,57 — mas a sofisticação da falsificação chamou a atenção da polícia. “Eles criaram um deepfake com imagem e voz da modelo, parecendo um anúncio legítimo”, explicou a delegada Isadora Galian.
Os valores pagos pelas vítimas eram transferidos para contas de fachada. Embora alguns prejuízos individuais fossem pequenos, a soma estimada dos golpes chega a R$ 210 milhões. A investigação começou após a denúncia de uma moradora do Rio Grande do Sul que caiu na fraude.
De acordo com a delegada, os investigados não escondiam os ganhos. “As redes sociais deles eram vitrines de ostentação, exibindo veículos de luxo e deboches das vítimas. Um deles ironizou uma mulher que perdeu R$ 800, dizendo que ela ‘perdeu R$ 200, depois mais 600’.”
A polícia também identificou que um dos suspeitos oferecia mentorias para ensinar técnicas de golpes digitais, criando uma rede de multiplicação criminosa.
Os investigados responderão por estelionato, lavagem de dinheiro, jogo de azar e organização criminosa.



