Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrada nesta quinta-feira (7) mira 15 influenciadores digitais suspeitos de integrar um esquema bilionário de promoção de jogos de azar ilegais, como o chamado “Jogo do Tigrinho”.
A ofensiva, batizada de Operação Desfortuna, cumpre mandados no Rio, São Paulo e Minas Gerais, e investiga uma organização criminosa que atuaria na divulgação de cassinos online clandestinos e na lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada.
Segundo a Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), os influenciadores utilizavam suas redes sociais para divulgar plataformas ilegais com promessas enganosas de lucros fáceis. Além disso, ostentavam carros de luxo, viagens internacionais e imóveis de alto padrão — sinais considerados pela polícia como indícios de enriquecimento incompatível com a renda declarada.
Entre os alvos da operação estão nomes conhecidos do meio digital, como Bia Miranda, Buarque e Maumau. Este último foi preso em flagrante em São Paulo, onde policiais localizaram uma arma de fogo durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão.
As investigações, baseadas em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelaram que apenas entre 2022 e 2024 os investigados movimentaram cerca de R$ 40 milhões em contas pessoais. O Coaf também identificou um esquema mais amplo, no qual os valores apostados por usuários eram pulverizados em contas de empresas de fachada e plataformas de intermediação financeira, dificultando o rastreamento da origem dos recursos.
“A gente não está falando de casas de apostas esportivas, as chamadas bets, que são reguladas. Eles estavam promovendo jogos de caça-níqueis online, como o Tigrinho, que é ilegal no Brasil”, explicou o delegado Renan Mello, responsável pela investigação. “Esses influenciadores usavam a promessa de lucros imediatos e um estilo de vida luxuoso para atrair seus seguidores aos sites clandestinos.”
Ainda de acordo com a polícia, os apostadores, em sua maioria, sequer conseguiam sacar os valores ganhos, quando havia retorno. “É um jogo estruturado para iludir, e a grande maioria das pessoas sai lesada”, afirmou Mello.
A investigação que resultou na deflagração da Operação Desfortuna, também revelou que parte dos influenciadores digitais investigados lucrava diretamente com o prejuízo financeiro dos próprios seguidores.
Além de receberem valores fixos por publicações promocionais, alguns deles participavam de um esquema ainda mais perverso, segundo a polícia, que recompensava financeiramente a perda dos usuários atraídos para plataformas ilegais de apostas.
“Alguns influenciadores ganham por valor fechado, segundo o número de postagens; outros ganham naquilo que ficou conhecido como ‘cláusula da desgraça alheia’, onde levam um percentual a partir da perda dos seus apostadores que se cadastram na plataforma com os links divulgados por eles”, afirmou o delegado Renan Mello, responsável pela investigação.
O modelo, segundo a autoridade policial, evidencia uma lógica de incentivo ao endividamento do seguidor e reforça o caráter fraudulento do esquema.
A estimativa da Polícia Civil é de que o esquema criminoso tenha movimentado ao menos R$ 4,5 bilhões. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e mapear toda a cadeia de lavagem de dinheiro.



