A Polícia Civil de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, descobriu que o número de cães e gatos mortos por eutanásia durante a gestão da ex-secretária de Bem-Estar Animal, Paula Lopes, foi quase o dobro do registrado oficialmente. Documentos paralelos e depoimentos de servidores indicam que, entre janeiro e julho de 2025, 478 animais foram abatidos, enquanto os registros oficiais apontavam 239.
Paula Lopes, exonerada em agosto, é investigada por maus-tratos a animais e estelionato. Segundo a delegada responsável pela operação, Luciane Bertoletti, há indícios de que cães e gatos resgatados eram usados em vídeos na internet para receber doações via PIX e depois eutanasiados. Parte dos óbitos teria sido registrada sob outras causas para não levantar suspeitas.
Uma veterinária que trabalhou na gestão relatou pressão para sacrificar animais que poderiam ser tratados e afirmou que profissionais eram orientados a preencher atestados de óbito de forma irregular. “Era no mínimo uma eutanásia por dia. Esses animais poderiam viver por muitos anos se bem cuidados”, disse a profissional, citando casos de gatos com FIV ou FELV e cães com cinomose que receberam a ordem de sacrifício.
A delegada Bertoletti explicou que a justificativa oficial para os procedimentos era liberar espaço para novos atendimentos, mas também havia economia com custos de tratamento. “Um gato com esporotricose exige quatro a seis meses de medicação, cerca de R$ 300 por mês, enquanto a eutanásia custa de R$ 50 a R$ 100. Isso certamente pesava na decisão”, afirmou.
A delegada ainda afirmou, recentemente, que a investigação teve início a partir de denúncias e revelou que o número de eutanásias na secretaria estava acima do registrado oficialmente.
“Os indícios apontam para uma matança desmedida de cães no local, motivada por interesse financeiro de uma das investigadas. Verificamos que ela, ocupando cargo de gestão, recolhia animais doentes das ruas, publicava fotos e vídeos em suas redes sociais solicitando doações via PIX sob o pretexto de tratamento, e, depois de algum tempo, esses animais simplesmente desapareciam”, explicou a delegada.
Segundo relatos, a data da morte dos animais era deixada em branco para criar a impressão de que passaram por algum tratamento antes de morrer. Alguns tutores levaram cães à secretaria, receberam indicação de eutanásia, mas, ao procurarem clínicas externas, os animais sobreviveram.
Na segunda-feira (22), a Polícia Civil colheu depoimentos de uma tratadora de animais e de uma moradora da cidade cujos cães foram mortos. Ao todo, 17 pessoas já foram ouvidas, e os próximos depoimentos devem incluir gestores da empresa terceirizada que atua junto à secretaria.
O procurador-geral do município, Eber Bundchen, afirmou que a prefeitura abriu sindicância sobre o caso e está à disposição para colaborar com a polícia. A secretaria segue funcionando normalmente.
Com informações do G1rs.



