O Progressistas do Rio Grande do Sul entrou oficialmente em rota de colisão interna. A convocação de uma reunião do diretório estadual para a próxima terça-feira (20), feita pelo presidente da sigla, deputado federal Covatti Filho, provocou uma reação inédita de um grupo considerado o “núcleo duro” do partido e escancarou um racha que vinha sendo alimentado nos bastidores há meses.
Mais de 20 lideranças, entre elas o senador Luis Carlos Heinze, o ex-governador Jair Soares, o presidente de honra Celso Bernardi, deputados federais, estaduais e dirigentes de entidades partidárias, anunciaram que não participarão do encontro.
Em carta pública, o grupo classificou a decisão de Covatti como monocrática, precipitada e sem legitimidade, por não ter passado pela Comissão Eleitoral nem por debate mais amplo com a base.
O estopim da crise é a definição do rumo do PP para a eleição ao governo do Estado em 2026. De um lado, o grupo de Covatti trabalha para aproximar o partido do PL, defendendo apoio à candidatura do deputado federal Luciano Zucco, com a possibilidade de indicar a deputada Silvana Covatti como vice. Do outro, a ala ligada ao deputado estadual Ernani Polo sustenta que o PP deve lançar candidatura própria ao Palácio Piratini, posição que, segundo o grupo dissidente, já havia sido construída internamente.
Ao anunciar o boicote, as lideranças afirmam que a reunião não tem poder deliberativo e alertam que insistir nesse formato pode aprofundar divisões internas difíceis de recompor. O movimento expõe um partido dividido entre dois projetos políticos distintos e coloca em xeque a capacidade de Covatti Filho de manter a unidade da sigla.
Com a reunião mantida e a ausência anunciada de figuras centrais do partido, o PP chega a uma semana decisiva fragilizado, pressionado por suas próprias lideranças e diante do risco de transformar a disputa interna em um desgaste público com reflexos diretos no xadrez eleitoral de 2026.
Para entender melhor a crise interna no partido, o Fronteira 360 recomenda a leitura de Taline Oppitz no Correio do Povo e de Fábio Schaffner na GZH. Links aqui e aqui.
Leia a carta completa:
Carta pelo diálogo e unidade dos ProgressistasO Progressistas do Rio Grande do Sul é um partido grande, com atuação histórica e papel relevante na vida política do nosso Estado. Sua trajetória sempre foi marcada pelo diálogo, pelo entendimento, pela pluralidade de ideias e, sobretudo, pela unidade. Mesmo diante de divergências legítimas, o Progressistas sempre buscou preservar a coesão interna, construindo decisões de forma coletiva e respeitando a vontade da maioria como fundamento de sua força política.
É com esse espírito que respeitosamente conclamamos pela unidade do Progressistas do Rio Grande do Sul, uma característica que sempre marcou nossa história vitoriosa. Para isso, todos os processos internos sobre as eleições de 2026 devem ser conduzidos coletivamente, com espaço para encontros, debates e amadurecimento das posições — sempre respeitando a decisão da maioria.
Por esse motivo, entendemos como gravemente inadequada a decisão do presidente estadual do partido, tomada unilateralmente, de convocar e manter uma reunião deliberativa do Diretório Estadual para o dia 20 de janeiro. Não houve sequer deliberação da Comissão Eleitoral, criada para tratar das eleições de 2026.A decisão conjunta tomada até aqui é apresentar candidatura própria do PP a governador — e essa deve continuar sendo nossa prioridade.
Diante disso, as lideranças do partido, signatárias desta carta, informam que não veem legitimidade e, portanto, não participarão da reunião convocada. Fazemos isso para manter a unidade partidária e evitar atritos internos intransponíveis.Defendemos a realização de um calendário de eventos e debates pelo interior, para ouvir toda a base sobre a candidatura própria a governador e o plano de governo, com tempo adequado e um colegiado ainda mais amplo.
Uma decisão tão importante deve incluir, além dos membros do diretório estadual, presidentes municipais, delegados à Convenção Estadual, prefeitos, prefeitas, vice-prefeitos, vereadores e vereadoras — com mais escuta e participação.
Pela unidade do Progressistas e por uma posição vitoriosa para 2026!
Assinam: Jair Soares — ex-governador
Celso Bernardi — presidente de honra do PP-RS
Senador Luis Carlos Heinze
Deputado federal Afonso Hamm — 1º vice-presidente do PP-RS
Deputado federal Pedro Westphalen — 2º vice-presidente do PP-RS
Deputado estadual Marcus Vinícius de Almeida — líder da bancada do PP na AL-RS
Deputado estadual Frederico Antunes — ex-presidente da AL-RS
Deputado estadual Ernani Polo — ex-presidente da AL-RS e secretário-geral do PP-RS
Deputado estadual Adolfo Brito — ex-presidente da AL-RS
Deputado estadual Issur KochJerônimo Goergen — ex-presidente do PP-RS
Pedro Bertolucci — ex-presidente do PP-RS
Irineu Orth — suplente de senador
Otomar Vivian — ex-presidente da AL-RS
Fetter Júnior — ex-deputado federal
Elton Barreto — presidente da Associação dos Prefeitos do PP-RS
Silomar Garcia — presidente da Associação dos Vereadores do PP-RS
Marco Peixoto Filho — suplente de deputado federal
Salmo Dias de Oliveira — suplente de deputado estadual
Júlio Ruivo — suplente de deputado estadual
Luís Fernando Cavalheiro Pires — suplente de deputado estadual
Foto: Paulo Garcia/AL-RS/JC.



