Pré-candidato a deputado, delegado-geral politiza caso Orelha e transforma investigação em embate ideológico

A investigação da morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, passou a ser marcada não apenas pela comoção pública, mas também por embates políticos protagonizados pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC), Ulisses Gabriel.

À frente da corporação, o delegado passou a responder críticas sobre a condução das investigações com discursos de viés ideológico nas redes sociais, associando questionamentos à atuação policial a ataques da esquerda e ao fato de Santa Catarina ser, segundo ele, um “estado de direita”.

As manifestações ocorrem no momento em que o delegado se apresenta como pré-candidato a deputado estadual nas eleições de 2026.

O crime foi denunciado às autoridades em 16 de janeiro e, inicialmente, quatro adolescentes foram investigados por envolvimento na morte do animal, mascote comunitário da Praia Grande.

Posteriormente, a Polícia Civil descartou a participação de um dos jovens. Desde o início, o caso mobilizou a sociedade e gerou forte cobrança por respostas, especialmente diante do receio de que os suspeitos, oriundos de famílias de classe média alta, pudessem receber tratamento diferenciado.

Após a repercussão do caso, Ulisses Gabriel ampliou de forma significativa sua presença digital. Apenas no Instagram, o delegado-geral soma atualmente cerca de 188 mil seguidores, sendo aproximadamente 76 mil conquistados a partir de janeiro, período que coincide com a condução do caso Orelha e com sua atuação pública nas redes sociais.

Em meio às críticas, Gabriel passou a protagonizar embates públicos, sobretudo no X, onde reagiu a comentários com frases como “aqui bandido não é vítima da sociedade” e defendeu pautas como o endurecimento das leis penais e a redução da maioridade penal.

Em outras publicações, atribuiu os questionamentos à Polícia Civil a motivações políticas, afirmando que o estado é alvo de ataques por ser alinhado à direita.

No campo técnico da investigação, a Polícia Civil negou que tenha havido tentativa de afogamento de um segundo cão, conhecido como Caramelo.

Segundo os investigadores, embora o animal tenha sido jogado ao mar por adolescentes, conseguiu sobreviver. Imagens que circulam nas redes sociais mostram agressões contra o cão, o que reforçou a indignação pública.

A postura adotada pelo delegado-geral reacende o debate sobre os limites entre a comunicação institucional da segurança pública e a utilização de um caso de forte comoção social como instrumento de projeção política pessoal.

Ao politizar críticas à investigação, Ulisses Gabriel desloca o foco do debate para o campo ideológico em um momento no qual já se apresenta como pré-candidato a cargo eletivo.

Maicon Schlosser

Jornalista

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