O prefeito de São Borja, José Luiz Rodrigues Machado, popularmente conhecido como Boca, explicou em entrevista ao programa Gente é Notícia, da Rádio Cultura AM, os motivos da por trás do decreto de contenção de gastos, o andamento do plano de carreira dos servidores e as ações de recuperação das ruas da cidade, além de reforçar a importância da comunicação direta com a população.
“Eu nunca fui de aparecer, mas comecei a participar mais dos programas porque algumas mídias estão chegando em São Borja e, em vez de informar, estão desinformando a população”, afirmou.
Sobre o decreto de contenção de gastos, publicado no dia 13 de outubro, o prefeito explicou que se trata de uma medida técnica para ajustar o orçamento diante da escassez de recursos, agravada pelas chuvas. “O decreto de contenção é algo que sempre existiu. O que fiz agora foi apenas antecipar um pouco, porque desde o início do ano a gente tem enfrentado falta de recursos”, afirmou.
Ele ainda justificou a medida com base nos problemas climáticos enfrentados pelo município, que geraram gastos que não estavam previstos. “Nos primeiros meses tivemos três decretos de calamidade por chuvaradas e alagamentos. Em 120 dias, choveu mais de mil milímetros, o que liquidou ruas e estradas do interior. Tivemos que gastar mais de R$ 2,5 milhões em recursos emergenciais que não estavam previstos”, disse.
Ele destacou que a antecipação do decreto visa manter apenas despesas essenciais e otimizar recursos, sem cortar direitos dos servidores.
Sobre os cortes nas horas extras e dedicação, ele justificou que será aplicado em “áreas que não vai ter necessidade” e por isso será feita a redução. “Isso é otimização dos recursos públicos. Não vou tirar nada de ninguém, como algumas mídias maldosas falaram nas redes sociais”, declarou.
Ele ainda garantiu que o decreto é apenas uma forma de “ajustar as contas e entregar o exercício de 2025 dentro do prazo e de forma equilibrada”.
“Tudo que está planejado, orçado e empenhado, será mantido. O que não for essencial, não será executado. Esse é o fato”, declarou.
O prefeito também abordou o plano de carreira dos servidores, que vem sendo estudado há mais de 20 anos. Segundo ele, já foi criada uma comissão liderada pela secretária Cátia Figueiredo, com apoio do SIMUSB, para tratar do tema.
‘Ainda este ano devemos realizar a primeira reunião oficial. Posso garantir que vamos regularizar e corrigir problemas, principalmente nos níveis 1 a 7. Isso é um compromisso meu com os servidores”, afirmou.Boca informou ainda que os eventos previstos até o final do ano serão mantidos, mas com adequação de recursos. “Aquilo que não for necessário, não será feito. Agora, o básico, o essencial e o que está previsto no orçamento vai acontecer”, citando como exemplo a Feira do Livro, que deve ocorrer no próximo mês.
Sobre o financiamento de R$ 21 milhões junto à Caixa Federal, o prefeito explicou: “A gente encaminhou o projeto para a Câmara, e, na época, ainda havia recursos disponíveis na Caixa, segundo o superintendente. O problema é que esse tipo de financiamento é rápido; quando a Câmara autorizou e encaminhamos, os recursos se esgotaram — por isso, neste ano não sai. Minha intenção era iniciar algumas obras ainda em 2025, mas não vai ser possível. De qualquer forma, está tudo aprovado: pela Caixa Federal, pelo Tesouro Nacional, e pronto para execução assim que houver dotação orçamentária.”
Ele acrescentou que grande parte desse valor será investida na recuperação de ruas que já atingiram o fim da vida útil, como Coronel Lago, Ed Freire Nunes, Riachuelo e Almirante Tamandaré.
Boca ainda fez um alerta à população sobre a suposta circulação de informações falsas, sem detalhar quais ou quais veículos seriam responsáveis: “Peço à população que cuidem: não se deixem levar por falsas informações, por mídias insignificantes que se colocam no mercado como informantes. Elas acabam desinformando cada vez mais.”
O prefeito concluiu reforçando a disposição da administração: “Estamos à disposição da população para fazer o que é possível, sendo verdadeiros, sem criar falsas expectativas ou promessas. O que é possível, a gente faz; o que não é, não.”



