Estudantes e integrantes do Projeto de Extensão LEME — Oficinas Preparatórias para o Enem, da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), campus São Borja, divulgaram uma nota pública nesta quarta-feira (15) manifestando repúdio à decisão da Prefeitura Municipal de suspender o transporte escolar que atendia os alunos do projeto.
Segundo eles, a medida compromete o acesso à educação e fere o princípio da equidade no ensino público.
Criado em 2015, o LEME é um dos projetos mais consolidados da universidade na área de extensão, já tendo atendido mais de mil estudantes em seus dez anos de atuação.
Reconhecido regionalmente, o cursinho popular tem alcançado altos índices de aprovação em universidades públicas e privadas, contribuindo para a democratização do acesso ao ensino superior.
Atualmente, 60 estudantes estão regularmente inscritos nas oficinas preparatórias, com o apoio de cerca de 20 voluntários — entre universitários, egressos, professores e membros da comunidade.
O projeto também acaba de submeter uma proposta à Chamada Pública da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), que busca conceder bolsas a estudantes do ensino médio que concluírem os estudos por meio do LEME.
A suspensão do transporte escolar, segundo os organizadores, afeta especialmente os alunos oriundos de bairros periféricos e da zona rural, que não têm condições financeiras para arcar com o deslocamento até o campus da Unipampa.
“É uma atitude injusta com quem está em busca de oportunidades por meio da educação”, afirmam na nota. Os estudantes reivindicam que a gestão municipal reverta imediatamente a decisão e retome o apoio garantido por administrações anteriores.
“É inadmissível que conquistas como essa, fruto de diálogo e sensibilidade, sejam interrompidas de forma arbitrária, sem oferecer alternativas viáveis”, destacam.
O grupo também fez questão de agradecer às antigas gestões pelo apoio ao projeto e cobrou da atual administração o mesmo compromisso com a educação pública e com a responsabilidade social.
A Prefeitura de São Borja ainda não se manifestou oficialmente sobre a suspensão do transporte escolar para os alunos do Projeto LEME.
Justificativa da Prefeitura
Representantes da Universidade Federal do Pampa, com quem nossa reportagem conversou, informaram que a Prefeitura Municipal de São Borja justificou a suspensão do transporte escolar com base em três fatores: a frota de veículos do município está limitada, os sábados são considerados dias não letivos e, por isso, reservados para manutenção preventiva e limpeza dos ônibus, e pelo fato de que não há servidores disponíveis para realizar o serviço no horário solicitado.
Leia a nota completa do LEME:
Nós, estudantes e integrantes do Projeto de Extensão LEME — Oficinas Preparatórias para O ENEM da Universidade Federal do Pampa, campus São Borja, viemos a público expressar nosso veemente repúdio à decisão da Prefeitura Municipal de São Borja de suspender o transporte escolar que atendia os(as) estudantes do projeto, medida estaque impacta diretamente o acesso à educação e fere o princípio da equidade no ensino público.
Criado em 2015, o Projeto LEME já atendeu mais de 1.000 estudantes ao longo de 10 anos de atuação ininterrupta, sendo reconhecido na comunidade local e regional como uma importante ação de extensão universitária comprometida com a democratização do acesso ao ensino superior. O projeto tem alcançado números expressivos de aprovação de estudantes em universidades públicas e privadas, contribuindo para transformar vidas por meio da educação.
Atualmente, o projeto conta com 60 estudantes regularmente inscritos, além de mais 20 voluntários entre discentes, egressos, docentes e membros da comunidade – que colaboram nas oficina preparatórias e em diversas atividades pedagógicas e organizativas, dentre elas a recente submissão de uma proposta ao edital (Chamada Pública Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP)) que visa remunerar através de bolsas estudantes do ensino médio que concluírem os estudos no projeto LEME.
A decisão da gestão municipal de suspender o transporte escolar inviabiliza a continuidade da participação desses(as) estudantes, especialmente daqueles que vivem em bairros periféricos ou na zona rural, sem condições financeiras de custear o deslocamento até o campus da Unipampa.
Trata-se de uma atitude injusta com quem está em busca de oportunidades por meio da educação, colocando em risco a permanência e o desempenho de jovens que sonham com um futuro melhor.
Reivindicamos que a Prefeitura reconsidere imediatamente essa decisão e retome o compromisso com a educação pública, gratuita e de qualidade.
É inadmissível que conquistas como essa, fruto de diálogo e sensibilidade das gestões anteriores, sejam interrompidas de forma arbitrária, sem oferecer alternativas viáveis aos estudantes.A educação transforma realidades.
Cortar o acesso a ela é um ato de omissão grave, cujas consequências recaem justamente sobre quem mais precisa de apoio.
Reafirmamos nosso compromisso com uma educação pública democrática e com a construção de políticas que ampliem — e não limitem — o direito de aprender. Deixamos aqui nosso reconhecimento e agradecimento às gestões municipais anteriores, que compreendeu a importância do projeto e ofereceu o suporte necessário para que centenas de estudantes pudessem manter seus estudos com dignidade. Esperamos que a atual gestão tenha a mesma responsabilidade social.



