Uma revelação publicada neste domingo pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, colocou os bastidores do futebol brasileiro sob suspeita de forte influência política e poder informal. Segundo a coluna, o Grêmio estava prestes a deixar a liga Libra para aderir à FFU, mas teria recuado após pressão de Francisco Mendes.
A eventual mudança teria peso estratégico. Hoje, os clubes brasileiros estão divididos em dois blocos, Libra e FFU, que disputam a liderança do projeto de criação de uma liga para organizar e negociar os direitos comerciais do Campeonato Brasileiro de Futebol. A saída de um clube do porte do Grêmio de um grupo para outro poderia alterar o equilíbrio de forças nessa disputa bilionária.
De acordo com a publicação, o filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes teria atuado diretamente para impedir essa mudança. A coluna descreve Francisco Mendes como uma figura central nos bastidores da Confederação Brasileira de Futebol, mesmo sem ocupar cargo oficial. “O filho de Gilmar Mendes é hoje o homem-forte da CBF, mesmo sem qualquer cargo na entidade”, afirma o texto.
Ainda segundo o colunista, a relação formal entre o grupo ligado ao ministro e a entidade ocorre por meio do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP). “Oficialmente, o IDP, presidido por Mendes, tem apenas uma parceria com a CBF”, destaca a coluna. Nos bastidores, porém, a influência seria maior. “Mas na confederação ele é o dono da bola”, conclui o jornalista.
O vínculo entre o instituto e a confederação envolve também cifras relevantes. Reportagens da revista piauí e do Estadão mostram que o IDP firmou contrato para administrar a CBF Academy, braço de formação da entidade. Pelo acordo, o instituto fica com 84% da receita dos cursos, enquanto a CBF recebe 16%.
Segundo informações publicadas pelo Estadão, a CBF Academy faturou cerca de R$ 9,2 milhões em 2023, o que indicaria aproximadamente R$ 7,7 milhões por ano destinados ao IDP. Como o contrato tem duração estimada de até dez anos, a parceria pode representar mais de R$ 70 milhões ao longo do período, caso o faturamento permaneça em patamar semelhante.
Após a repercussão da coluna, o Grêmio divulgou nota negando qualquer contato. Segundo o clube, a direção “desconhece qualquer movimento neste sentido” e afirma que dirigentes “nunca estiveram ou falaram com o filho do ministro para tratar deste ou outro assunto”. Ainda assim, a revelação reforça os debates sobre a influência política, institucional e econômica nos bastidores do futebol brasileiro.



