Antes mesmo da abertura oficial da Expodireto Cotrijal 2026, um protesto de agricultores marcou a manhã desta segunda-feira (9) em Não-Me-Toque. Cerca de 300 produtores rurais participaram da manifestação intitulada “Luto pelo Agro – Se não lutar, ele morre”, cobrando medidas urgentes para enfrentar o endividamento no campo.
Organizado pela Associação de Produtores e Empresários Rurais (APER), o ato reuniu agricultores que, mesmo sob frio e chuva, carregaram cruzes pretas e um caixão coberto com a bandeira do Rio Grande do Sul, simbolizando o que classificam como a crise vivida pelo setor.
Entre as principais reivindicações está a securitização das dívidas rurais, medida que permitiria alongar os prazos de pagamento para produtores afetados por sucessivas perdas de safra causadas por eventos climáticos.
Durante o ato, lideranças do movimento afirmaram que o produtor rural tem arcado praticamente sozinho com os impactos da crise no campo. Em discurso na entrada do parque da feira, um dos líderes do protesto, Arlei Romero, destacou a necessidade de divisão de responsabilidades entre os diferentes setores ligados ao agronegócio.
“Como o agricultor cumpre a lei e paga as suas contas, a gente precisa também que aqueles que fazem parte desta corrente cumpram”, afirmou.
Após os discursos, os manifestantes caminharam pelo parque da feira, passando por estandes de empresas de sementes e biotecnologia e também por instituições financeiras. No trajeto, o grupo entregou documentos com pedidos de renegociação e prorrogação de dívidas.
Entre os participantes estava o produtor de grãos Rodrigo Carassa, de Pontão, que carregava uma faixa com a frase “Securitização já”. Segundo ele, os agricultores não pedem perdão das dívidas, mas condições mais justas para quitá-las.
“A securitização é um alongamento de nossas dívidas, para que a gente tenha a possibilidade de pagar. Jamais pedimos perdão da dívida”, afirmou.
Carassa também destacou que a crise no campo se agravou após sucessivas frustrações de safra, enchentes e instabilidade climática, além do aumento nos custos de produção.
“Agora, a corda não tem mais onde esticar. A corda já arrebentou”, declarou o produtor.
Os agricultores também criticaram o valor cobrado em royalties por tecnologias agrícolas. Segundo eles, as taxas atuais seriam abusivas e deveriam ser reduzidas.
“Nós produtores não somos contra a cobrança de royalties. Hoje está em torno de 7% a cobrança por uma tecnologia que não funciona ou também por patente vencida.”
Outro ponto levantado pelos manifestantes foi o impacto da crise financeira na saúde mental de trabalhadores do campo.
De acordo com os produtores, ao menos 36 agricultores já teriam cometido suicídio em meio às dificuldades provocadas pelo endividamento e pelas perdas consecutivas nas últimas safras.
A manifestação ocorreu no primeiro dia da feira, considerada uma das maiores do agronegócio brasileiro, e colocou em evidência as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores gaúchos diante das perdas climáticas, do aumento dos custos de produção e da dificuldade de acesso a crédito.
Com informações Correio do Povo.
Foto: Camila Cunha.



