A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) cancelou a apresentação do jornalista e escritor Eduardo Bueno, conhecido como Peninha, que estava marcada para o próximo domingo (14) no Salão de Atos Ir. Norberto Rauch, em Porto Alegre. O espetáculo, intitulado “Brasil: Pecado Capital”, abordaria a história das três capitais brasileiras e discutiria esquemas, desvios e superfaturamentos na formação do poder nacional.
A decisão foi tomada após a repercussão de declarações feitas por Peninha em vídeo divulgado nas redes sociais sobre o assassinato do ativista conservador norte-americano Charlie Kirk, fundador da organização Turning Point USA, conhecida pela defesa de pautas alinhadas ao trumpismo, críticas ao feminismo, ao movimento LGBTQIA+ e a políticas ambientais. O ativista, que morreu baleado, já chegou a afirmar que “que vale a pena ter, infelizmente, algumas mortes por arma a cada ano, para que a gente tenha a Segunda Emenda para proteger os nossos direitos dados por Deus”.
Na gravação, o escritor afirmou que era “terrível um ativista ser morto por ideias, exceto quando é Charlie Kirk” e acrescentou que a morte teria sido “boa para suas filhas”.
A fala gerou forte reação de políticos e influenciadores conservadores. Em nota, a PUCRS afirmou que “repudia qualquer manifestação contrária à vida e à dignidade humana”, reforçando seu compromisso institucional com valores humanistas e a liberdade de expressão, mas optando pelo cancelamento do espetáculo.
A polêmica ganhou novos contornos quando Peninha mencionou que sua filha, que vive nos Estados Unidos, poderia “fazer um atentado na casa de Elon Musk”. A declaração levou os vereadores Ramiro Rosário (PSDB) e Felipe Camozzato (NOVO) a encaminharem um ofício ao Consulado dos EUA em Porto Alegre, alertando para potenciais riscos à segurança de brasileiros e americanos.
Após as críticas, Eduardo Bueno voltou a se pronunciar em outro vídeo, que novamente gerou polêmica.
“Meu vídeo foi derrubado supostamente por discurso de ódio, mas não era. Era um discurso de alegria, de satisfação. Era uma nota de falecimento, nota de falecimento. Nota 10”, declarou, entre risos.
O historiador ainda classificou Charlie Kirk como uma figura “desprezível” e “horrorosa”, argumentando que o vídeo não tinha como foco a morte do ativista, mas sim os votos dos ministros do STF no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e que durante ele havia falando sobre o assassinato brevemente.
Até o momento, Peninha não se manifestou sobre o cancelamento de sua participação na PUCRS.



