A análise da quebra de sigilo bancário e fiscal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não identificou, até o momento, transferências do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”, nem evidências da suposta “mesada” de R$ 300 mil que vinha sendo mencionada em meio ao debate político sobre as investigações da CPMI do INSS.
Os dados obtidos pela comissão mostram que, entre janeiro de 2022 e janeiro de 2025, as contas de Lulinha registraram movimentação total de cerca de R$ 19,5 milhões. Desse valor, aproximadamente R$ 9,77 milhões correspondem a créditos e R$ 9,75 milhões a débitos.
Segundo a análise preliminar dos registros financeiros, as movimentações são majoritariamente compostas por rendimentos de aplicações financeiras, transferências entre empresas ligadas ao empresário e operações típicas de gestão empresarial, sem indícios de irregularidades. Parte dos recursos está associada às atividades das companhias LLF Tech Participações e G4 Entretenimento e Tecnologia.
O exame das contas foi autorizado para verificar se havia ligação financeira entre Lulinha e pessoas citadas nas investigações sobre possíveis irregularidades no sistema previdenciário.
Entretanto, até agora, não foram encontrados depósitos provenientes de Antônio Carlos Camilo Antunes, personagem que passou a ser citado em publicações e debates políticos como suposto responsável por repasses mensais ao filho do presidente, ou qualquer repasse relacionado ao escândalo do roubo dos aposentados.
Os extratos também registram transferências feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao filho, Fábio Luís Lula da Silva, que somam cerca de R$ 721 mil no período analisado.
Segundo as informações apresentadas à comissão, os valores correspondem principalmente à antecipação de herança, quando um pai ou mãe repassa em vida parte do patrimônio que futuramente caberia ao filho, além de ressarcimentos de despesas familiares que teriam sido pagas por Lulinha em determinados momentos.
Entre essas despesas estariam custos assumidos durante o período em que Lula esteve preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, entre 2018 e 2019.
Segundo a defesa de Lulinha, “Essas informações parciais demonstram novamente uma total ausência de envolvimento de Fábio Luís com as fraudes do INSS, o que força o questionamento sobre a legitimidade da devassa e linchamento públicos, abastecidos por ato criminoso de vazamento de documentos”.
Parlamentares afirmam que novas etapas da apuração ainda devem cruzar esses registros com outros documentos e depoimentos coletados pela comissão.



