Um ex-assessor do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), movimentou R$ 3,1 milhões em apenas seis meses enquanto ocupava um cargo com salário líquido de R$ 3,3 mil. As transações ocorreram entre outubro de 2020 e março de 2021, período em que Jerônimo Arlindo da Silva Júnior, conhecido como Júnior do Peixe, estava nomeado no gabinete do parlamentar. Os dados constam em relatório do Coaf encaminhado à CPMI que investiga fraudes no INSS.
No intervalo analisado, ele recebeu R$ 1,59 milhão de terceiros e repassou R$ 1,57 milhão a outras contas. O volume das operações é incompatível com os rendimentos do cargo de Secretário Parlamentar 5 (SP-05), um dos níveis mais baixos da estrutura da Casa.
Além da atuação no gabinete de Hugo Motta, Júnior do Peixe foi dirigente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil (Conafer), entidade apontada pela Polícia Federal como uma das principais investigadas no esquema que ficou conhecido como “Farra do INSS”.
A apuração indica a realização de descontos indevidos em aposentadorias. Entre 2022 e 2025, a entidade arrecadou quase R$ 800 milhões, e cerca de 90% do montante teria sido destinado a empresas de fachada, segundo a investigação.
Em nota publicada nas redes sociais em maio de 2025, o ex-assessor afirmou que não mantinha vínculo com a Conafer enquanto trabalhava na Câmara e que solicitou exoneração para assumir formalmente a função de diretor de políticas públicas da entidade, alegando respeito à legislação que proíbe acúmulo de cargos públicos.
Desde que deixou o Legislativo federal, sua renda formal declarada passou a ser um salário de R$ 4,3 mil na Prefeitura de João Pessoa. Nas eleições municipais de 2024, quando concorreu à prefeitura de Marizópolis (PB), declarou patrimônio de R$ 470 mil, valor distante da cifra milionária que transitou por suas contas anos antes.
Procurados, Júnior do Peixe e Hugo Motta não se manifestaram.
Com a CPMI em andamento, os dados financeiros ampliam a pressão por esclarecimentos. A discrepância entre salário oficial e movimentação bancária não é apenas um detalhe contábil, é um ponto central que pode redefinir o alcance político de um dos escândalos mais sensíveis envolvendo aposentadorias no país.
Com informações Metrópoles.



