Falta de pavimentação e obras de infraestrutura seguem entre as queixas recorrentes de moradores em São Borja, problema que costuma ser atribuído à escassez de recursos públicos.
Na última sessão da Câmara de Vereadores, porém, o tema ganhou novo capítulo após declaração do vereador Matteus Bronzoni (PDT), que afirmou que o município deixou de protocolar projeto no programa estadual Pavimenta 3, abrindo mão de pleitear até R$ 2 milhões para obras, valor que poderia chegar a cerca de R$ 2,6 milhões com contrapartida municipal de 30%.
Segundo Bronzoni, a informação foi obtida durante agenda em Porto Alegre e contrasta com discursos recorrentes sobre falta de recursos.
“Muito se fala na falta de recursos, mas quando o governo do Estado quer nos alcançar o recurso, nós não vamos atrás. […] Até R$ 2 milhões poderiam ter sido buscados, com a contrapartida de trinta por cento do município, podendo chegar então a R$ 2,6 milhões e nós [o município] abrimos mão”, afirmou.
O parlamentar ainda ironizou a postura administrativa durante a sessão e acrescentou: “Acho que deve ser porque tá sobrando recurso aí na prefeitura, então não é preciso.”
A manifestação ocorreu na tribuna e levou a reportagem do Fronteira 360 a procurar o posicionamento oficial da prefeitura.
Questionamentos foram encaminhados ao gabinete do prefeito sobre a eventual elaboração ou envio de projeto, os motivos para a não adesão, a viabilidade técnica e orçamentária e a previsão de participação em futuras etapas do programa. Após mais de uma semana, não houve retorno.
No entanto, dias após as declarações e dos questionamentos enviados pela reportagem, a prefeitura anunciou a assinatura de convênio do Pavimenta RS II, garantindo mais de R$ 3 milhões em investimentos em infraestrutura urbana.
Conforme o vereador, os valores divulgados teriam sido negociados ainda na gestão do ex-prefeito Eduardo Bonotto, argumento que, segundo ele, reforça o debate sobre a necessidade de busca ativa por novos financiamentos estaduais, que não ocorreram até o momento no caso do edital do Pavimenta 3.
Sem manifestação oficial do Executivo até o momento, o tema permanece sem esclarecimentos e deve seguir repercutindo no Legislativo e entre a população, em meio às cobranças por melhorias na malha viária urbana do município.



