EM DEFESA DO MUSEU MISSIONEIRO
O anúncio da construção de um novo museu em São Borja vem causando críticas à Prefeitura, sob a alegação de “falta de prioridades”.
Entendo de onde surge o descontentamento. Afinal, São Borja possui diversos problemas a serem resolvidos. Das ruas esburacadas às melhorias na saúde, todas as reclamações são legítimas e merecem atenção do poder público.
Aqui, inclusive, recebemos diariamente mensagens de moradores cobrando avanços em diferentes áreas.
No entanto, é preciso compreender como funcionam os processos administrativos e o repasse de recursos aos municípios.
O valor destinado a São Borja, próximo de R$ 2 milhões, possui destinação específica. Não se trata de um recurso genérico, mas de um repasse voltado exclusivamente à construção do Museu Missioneiro, inserido em um pacote de investimentos relacionados às comemorações dos 400 anos das Missões Jesuíticas.
A Prefeitura não pode, sob risco de responder por crime grave na Justiça, redirecionar esse recurso para outras áreas.
Dessa forma, críticas que partem do argumento de que o dinheiro deveria ser utilizado em educação ou saúde decorrem de desconhecimento e carecem de respaldo legal.
Se há questionamento quanto à prioridade, ele deve ser direcionado ao governo do Estado, responsável pela destinação.
Além disso, a população são-borjense precisa compreender e abraçar a ideia de que investir em cultura e preservação histórica também gera retorno econômico para a cidade.
Explico. Segundo informações apresentadas no ato de assinatura da ordem de serviço, a empresa responsável pela construção do museu já estuda a possibilidade de contratar profissionais do próprio município para a realização da obra.
Caso isso se confirme, empregos serão gerados e a renda passará a circular na economia local, sendo movimentada em mercados, comércios 3 restaurantes da cidade, por exemplo.
Além disso, a criação do museu, aliada à restauração dos espaços já existentes, tem potencial para ampliar o turismo, atraindo visitantes de diversas regiões do Brasil e até do exterior, como já ocorre atualmente, porém em maior escala.
Esses turistas se hospedam em hotéis, consomem em restaurantes e utilizam o comércio local, movimentando diretamente a economia do município.
Dessa forma, investir em museus e cultura não é um gasto desnecessário, mas também uma estratégia de desenvolvimento.
Evidentemente, cabe à Prefeitura preparar a cidade e promover sua divulgação de maneira adequada para que esse potencial se concretize.
Mas a construção do Museu Missioneiro, nos moldes apresentados, com quase a totalidade dos recursos oriundos dos cofres estaduais, e não municipais, deve ser vista como uma boa notícia, e não como motivo de lamentação.
São Borja é o primeiro dos Sete Povos das Missões, detentora de um dos maiores acervos históricos do período, e merece um espaço adequado e de destaque para a preservação e apresentação de sua história.
Por isso, deixemos as críticas para as ruas esburacadas, os problemas na saúde, nas escolas e em outras áreas.
Problemas existem, e são muitos, mas o museu não é um deles.



