O portal de notícias Fronteira 360 recebeu nesta quinta-feira (15) uma mensagem com teor intimidatório, logo após a divulgação de matérias sobre a morte de um homem em surto durante abordagem da Brigada Militar em Santa Maria.
O contato partiu de um indivíduo que se alegadamente se identifica como integrante da Brigada Militar e contém linguagem ofensiva, ironias e convite direto ao confronto físico. Entre os trechos da mensagem estão:
“Caso algum familiar ou ‘algum bunda mole’ fale mal da Brigada, me contate ou venha me visitar, se for homem. Podem vir mais de um me visitar.”
Considerando o tom ameaçador e inapropriado para um suposto agente de segurança pública, nossa reportagem imediatamente entidades representativas da categoria, como o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (Sindjors) e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), buscando amparo jurídico e orientação sobre medidas legais cabíveis.
Lamentamos que em meio a acontecimentos recentes, como o caso ocorrido em Santa Maria e hoje no interior de Pelotas, em que um produtor rural foi morto pela Brigada Militar numa operação que segundo o próprio delegado da Polícia Civil, merece ser averiguada, um suposto agente público de segurança se sinta no direito de direcionar mensagens em tom de intimidação não somente a um veículo de imprensa mas também direcionadas a familiares das vítimas.
O momento não é de intimidar ou criticar a imprensa, mas, sim, de reflexão para evitar ações como as noticiadas recentemente, que em última instância colaboram para injusta desvalorização e escrutínio público das instituições públicas de segurança, que, em sua grande maioria, prestam um serviço valioso a sociedade.
A escolha por tornar público e buscar contato com as entidades representativas, além de registro de Boletim de Ocorrência por ameaça e intimidação, partem do pressuposto de que o ato representa mais um exemplo de violência desnecessária, irresponsável e questionável, mesmo que no palco das palavras e redes sociais, o que ainda assim é inadmissível, pois se não forem contidas, podem escalar para ações no mundo real, com fins trágicos.
Em nota, Sindjors e Fenaj reforçam:
“Críticas fazem parte do debate democrático, mas ameaças, intimidação e violência simbólica, especialmente quando partem alguém que se apresenta como agente da segurança pública, são absolutamente inaceitáveis e representam grave afronta à liberdade de imprensa, ao direito à informação da sociedade e ao Estado Democrático de Direito.”
“A atuação das forças de segurança deve estar pautada pelo respeito aos direitos humanos, à legalidade e à transparência, jamais pelo constrangimento ou tentativa de silenciamento de jornalistas.”
“O portal sempre noticiou matérias de cunho informativo sobre Brigada Militar e outras forças de segurança, ressaltando o importante papel destes para a segurança pública e no combate ao crime, sem críticas pessoais à corporação. Intimidar jornalistas é atacar a democracia. Sem liberdade de imprensa, não há sociedade livre.”
O Fronteira 360 reafirma que todas as matérias publicadas seguem rigorosos critérios de apuração, ética jornalística e interesse público, e que a tentativa de intimidação não interfere no cumprimento do dever de informar. As entidades já estão adotando medidas institucionais junto aos órgãos competentes, cobrando apuração rigorosa e responsabilização do autor.
Leia a nota completa do Sindjors e da FENAJ:
O Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS) e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) vêm a público repudiar com veemência a intimidação sofrida pelo jornalista Maicon Schlosser, do portal Fronteira 360, de São Borja (RS), em razão do exercício legítimo de seu trabalho profissional.
Nos últimos dias, o veículo publicou reportagens sobre mortes ocorridas em ações da Brigada Militar no Rio Grande do Sul, incluindo um caso recente registrado em Santa Maria, envolvendo um homem em surto que morreu durante uma abordagem policial. As matérias foram produzidas com base em apuração responsável, informações verificadas e depoimentos de familiares, cumprindo rigorosamente os preceitos éticos do jornalismo e o interesse público.
Após as publicações, o jornalista passou a receber mensagens privadas de conteúdo agressivo, ofensivo e intimidatório, enviadas por um indivíduo que se identifica alegadamente como sargento da Brigada Militar. As mensagens contêm ataques pessoais, xingamentos e incitação ao confronto, caracterizando uma tentativa de intimidação em função do trabalho jornalístico realizado.
O SindJoRS e a Fenaj ressaltam que críticas fazem parte do debate democrático, mas ameaças, intimidação e violência simbólica, especialmente quando partem de alguém que se apresenta como agente da segurança pública, são absolutamente inaceitáveis e representam grave afronta à liberdade de imprensa, ao direito à informação da sociedade e ao Estado Democrático de Direito.
A atuação das forças de segurança deve estar pautada pelo respeito aos direitos humanos, à legalidade e à transparência, jamais pelo constrangimento ou tentativa de silenciamento de jornalistas.
O portal sempre noticiou matérias de cunho informativo sobre Brigada Militar e outras forças de segurança, ressaltando o importante papel destes para a segurança pública e no combate ao crime e, em nenhum momento, dirigiu críticas pessoais à corporação. As entidades manifestam solidariedade ao profissional intimidado, reiteram seu apoio irrestrito ao livre exercício do jornalismo e informam que já estão adotando as medidas institucionais cabíveis junto aos órgãos competentes, cobrando apuração rigorosa dos fatos e responsabilização, caso confirmada a autoria das mensagens.
Intimidar jornalistas é atacar a democracia.Sem liberdade de imprensa, não há sociedade livre.
Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul – SindJoRS
Federação Nacional de Jornalistas – Fenaj



