Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) começou a usar tornozeleira eletrônica nesta sexta-feira (18) e está proibido de sair de casa no período noturno, acessar redes sociais, se aproximar de embaixadas e manter contato com outros investigados em inquéritos que tramitam na Corte. A decisão, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, foi cumprida pela Polícia Federal (PF) no início da manhã, após surgirem suspeitas de que o ex-mandatário planejava deixar o país.
Segundo apuração dos jornalistas Valdo Cruz e Andreia Sadi, os investigadores identificaram indícios de uma tentativa de fuga, o que levou à adoção das medidas cautelares. Durante a operação, os agentes encontraram cerca de US$ 14 mil, R$ 8 mil e um pendrive escondido em um banheiro da residência de Bolsonaro. O dispositivo foi encaminhado ao laboratório da PF para perícia.
Moraes afirmou que Bolsonaro teria confessado, de forma “consciente e voluntária”, uma tentativa de extorsão contra a Justiça brasileira e que agiu em conjunto com o filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para tentar interferir em processos judiciais. A investigação inclui ainda possíveis crimes de coação no curso do processo, obstrução de justiça e ataque à soberania nacional.
A reação do ex-presidente foi imediata. Após a instalação da tornozeleira, ele declarou à imprensa: “Nunca pensei em sair do Brasil ou ir pra embaixada. Isso é uma humilhação”. Já a defesa afirmou, em nota, que recebeu com “surpresa e indignação” as medidas impostas, classificando-as como “severas e desproporcionais”.
A operação desta sexta-feira é desdobramento de inquérito aberto pelo STF no último dia 11, poucos dias após o anúncio das novas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O presidente americano, Donald Trump, chegou a associar a medida às acusações enfrentadas por Bolsonaro no Brasil, incluindo a tentativa de golpe de Estado no 8 de janeiro de 2023.
Em declaração dada na quinta-feira (17), Bolsonaro condicionou publicamente o fim das sanções econômicas à sua própria anistia, o que, segundo Moraes, configura tentativa de interferência indevida nos poderes constituídos. O gesto foi considerado um ataque direto à soberania nacional e motivou o endurecimento das ações judiciais.
O cerco judicial ao ex-presidente se intensifica num momento de crescente tensão política e econômica, e as novas revelações colocam em xeque a versão da defesa, que nega qualquer irregularidade ou intenção de fuga. As próximas etapas da investigação devem esclarecer o conteúdo do pendrive apreendido e aprofundar os vínculos entre os diversos investigados.



