O Supremo Tribunal Federal (STF) instaurou nesta segunda-feira (27) um inquérito para investigar o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por possível tentativa de coação e obstrução de justiça.
O pedido foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que aponta ações do parlamentar nos Estados Unidos para pressionar integrantes da Corte brasileira.
Segundo a PGR, desde o ano passado, Eduardo tem “reiteradamente e publicamente afirmando que está se dedicando a conseguir do governo dos Estados Unidos a imposição de sanções contra integrantes do Supremo Tribunal Federal”. A conduta, avalia a Procuradoria, pode configurar crime de coação no curso do processo e tentativa de atrapalhar investigações que envolvem organização criminosa.
A investigação será relatada pelo ministro Alexandre de Moraes, escolhido por decisão do presidente do STF, Luís Roberto Barroso. Moraes decretou sigilo sobre a tramitação do inquérito, que teve início oficial no domingo (26), com o protocolo da ação pela PGR.
O procurador-geral Paulo Gonet informou à sua equipe, na semana passada, que daria andamento ao pedido. Ele baseia a acusação em declarações públicas feitas por Eduardo Bolsonaro, em que o deputado afirmava que, à medida que avançassem os julgamentos contra seu pai, Jair Bolsonaro, pelo episódio de 8 de janeiro, ele intensificaria ações internacionais contra Moraes.
A ofensiva de Eduardo gerou reações entre os ministros do Supremo, incluindo os indicados por Jair Bolsonaro. “Eles não entendem que o que sinalizam é, obtendo uma punição a você pelo exercício do trabalho, sinalizam que amanhã o mesmo pode ser feito contra cada um de nós”, afirmou um magistrado da Corte em reserva.
A PGR também pediu que o ex-presidente Jair Bolsonaro preste depoimento para esclarecer a participação do filho no episódio.



