Superação, propósito e fé: os caminhos que moldaram a vida de Davi Molina e construíram a DM Team

Antes do tatame, antes da DM Team e muito antes das medalhas penduradas na parede, havia um menino que sempre gostou de competir e estar em movimento. Desde criança, Davi Molina encontrou nos esportes um espaço de disciplina e superação. Jogou futsal, futebol de campo, basquete e participou de campeonatos de orientação, modalidade na qual chegou a ser campeão estadual. Essa relação com o esporte o acompanhou por toda a adolescência. E seria ela, muitos anos depois, que o salvaria.

O caminho, porém, foi duro. A juventude trouxe um acidente de moto que o desestruturou por completo: meses de recuperação dolorosa, perda de autonomia, afastamento e uma depressão que o derrubou mais do que qualquer adversário. “Ali eu deixei de viver por um tempo”, ele recorda.

O renascimento veio em 2013, primeiro através da fé. “O que me ajudou a me levantar foi a Igreja. Jesus Cristo me ajudou a sair daquela situação”, relembra.

Casado e com o primeiro filho a caminho, sentiu o chamado da responsabilidade. “Quando meu filho nasceu, comecei a pensar mais na minha saúde. Amigos me diziam: tu é novo, vai te cuidar, tu tem que ver teu filho crescer”, conta.

Foi então que procurou uma academia e teve o primeiro contato com as artes marciais. Assistiu a uma aula de judô, temeroso. “Fiquei com medo, nunca tinha feito luta. Medo de me machucar, com filho pequeno em casa”, afirma. Além disso, precisava vencer a si mesmo e as consequências da depressão, que o levaram a pesar mais de 120kg.

Ele quase desistiu, até ser chamado na porta para assistir à aula seguinte, de jiu-jitsu. “E eu fiquei, graças a Deus, fiquei”, declara.

Era um espaço simples, com poucos alunos, mas ali ele sentiu algo que há tempos não encontrava: vontade. “Logo comecei a treinar e me apaixonei. Comecei a competir e só foi aumentando o gosto pelo jiu-jitsu”, explica.

Retornava, assim, o Davi da infância, competitivo, dedicado, movido pela superação. O que começou como uma tentativa virou rotina; depois, missão. Em poucos meses, já competia em campeonatos regionais.

A caminhada o levou por diferentes academias, até criar um pequeno projeto social com o objetivo de ajudar crianças e adolescentes que também precisavam de um lugar para recomeçar.

Nasceu o Centro de Treinamento dos Irmãos (CTI), na garagem do pai de um amigo, seu Nelson Brum, nome que Davi guarda com gratidão. “Ele não treinava, só sentava, tomava a cervejinha dele e fica olhando aqueles loucos no tatame. Mas foi o primeiro empurrão. Sempre falo dele pois foi muito importante para minha continuação no esporte”, lembra.

Com a evolução, conquistou a faixa azul e começou a dar aulas sob orientação do professor Adair Ribeiro. A faixa preta veio mais tarde, com apoio da academia Gorilas, de Uruguaiana, sob supervisão do mestre Brigadeiro.

Davi também lembra do preconceito enfrentado no início, antes de se tornar faixa preta. “Tinham professores na cidade que criticavam essa função de eu puxar aulas. Nos chamavam de ‘os mané do galpão’, pois nossa academia depois foi num galpão”, afirma. Mesmo assim, seguiu firme no propósito.

No percurso, encontrou parceiros que permanecem até hoje: a equipe Fênix (Muay Thai), a HD Team (boxe), o Pedrão, da Pira Skate, e outros profissionais que dividiram tatame, dificuldades e convicções. “Eles são verdadeiros. Ensinam porque vivem a arte marcial. O Pedro, então… Nem se fala. Esteve comigo desde o primeiro momento. É um irmão”, declara.

A trajetória inclui ainda uma das experiências mais marcantes da vida dele: competir em Buenos Aires, ainda como faixa azul, sem dinheiro e sem garantias. Foi de carona em caminhão, dormiu em pensão barata, gastou quase tudo no primeiro dia e passou perrengues inesquecíveis. Lutou quatro vezes, perdeu na final, mas ganhou um ouro simbólico. “Pra mim, valeu como vitória absoluta. Venci mais na viagem do que no campeonato”, resume.

Hoje, na sede atual da DM Team, na Rua Coronel Lago, 2195, no Centro, Davi vê a evolução do espaço, dos 150 alunos e de tudo o que construiu — mas afirma que a verdadeira conquista não é material. “Eu venci preconceito, venci a desistência dos professores lá atrás. Hoje, ver eles colhendo o que eu plantei… isso vale mais que qualquer medalha.”

A família é sua base. A esposa e os dois filhos acompanharam as ausências necessárias, treinos exaustivos e o esforço para manter a academia viva. “Tinha dia que meu nenê tava chorando e eu precisava treinar. Eu queria essa mudança, queria ser melhor e melhorar a situação deles”, conta.

O jiu-jitsu se tornou seu terceiro amor, depois de Deus e da família. O amor que o levantou, que lhe devolveu o sentido e que agora ele devolve a cada aluno.

Na DM Team, ninguém aprende apenas a lutar, aprende-se a existir. “Eu não posso ser bom só no tatame. Se for só ali, vou ser infeliz. Quero que meus alunos sejam melhores do que eles mesmos. Tentar melhorar, evoluir. É isso que a gente tenta passar aqui na DM Team.”

Maicon Schlosser

Jornalista

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