O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que todos os itens apreendidos na segunda fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (14), sejam encaminhados diretamente ao STF, devidamente lacrados e sob custódia, até nova deliberação da Corte.
A decisão foi tomada no âmbito da investigação que apura irregularidades envolvendo o Banco Master e causou estranheza dentro da Polícia Federal, que agora tenta entender se precisará de aval do próprio ministro para analisar os dados apreendidos, o que, na prática, impacta o avanço da investigação. As informações foram reveladas pela colunista Daniela Lima, do UOL.
Na determinação, Toffoli deixou expresso que os materiais não devem permanecer sob guarda da PF.
“Determino que todos os bens e materiais apreendidos por força do cumprimento da decisão por mim anteriormente proferida, e aqueles resultantes do cumprimento da presente, deverão ser lacrados e acautelados diretamente na sede do Supremo Tribunal Federal, até ulterior determinação”, escreveu o ministro.
A ordem levantou dúvidas dentro da corporação sobre os próximos passos da apuração, já que o acesso ao conteúdo apreendido é considerado uma etapa fundamental para a análise das provas e o eventual aprofundamento das diligências. Decisões desse tipo não são usuais e passaram a ser alvo de questionamentos por parte de analistas políticos.
Na mesma decisão, Toffoli também fez uma cobrança formal à Polícia Federal, exigindo explicações sobre o descumprimento de uma ordem anterior relacionada ao prazo para cumprimento das medidas autorizadas pela Justiça. O ministro determinou que o diretor-geral da PF informe ao STF, no prazo de 24 horas, as razões do atraso.
A operação Compliance Zero teve como um dos alvos o cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, preso nesta nova fase da investigação. O caso envolve apurações sobre possíveis crimes financeiros e irregularidades no sistema bancário.
A decisão de centralizar no Supremo a custódia dos materiais apreendidos adiciona um novo elemento de tensão institucional entre o STF e a Polícia Federal, em meio a uma investigação considerada sensível e de grande repercussão.
Com informações UOL / Foto Andressa Anholete/SCO/STF.



