O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que Washington vai assumir diretamente o comando da Venezuela por tempo indeterminado após a captura de Nicolás Maduro. Em sua primeira entrevista coletiva depois da operação militar, Trump declarou que os Estados Unidos “vão comandar o país” até que seja possível realizar uma transição que considere “segura, adequada e criteriosa”.
Falando a jornalistas a partir de Mar-a-Lago, na Flórida, Trump disse que a decisão foi tomada para evitar que o país volte a um cenário semelhante ao vivido durante os anos de governo Maduro. “Vamos comandar o país até que seja possível uma transição apropriada. Não podemos correr o risco de deixar alguém assumir e simplesmente continuar o que ele deixou”, afirmou, sem indicar prazo para o fim da administração americana.
Na mesma entrevista, Trump descartou a possibilidade de a líder oposicionista María Corina Machado assumir o comando da Venezuela no pós-Maduro. Segundo o presidente americano, ela não reuniria apoio político suficiente dentro do país. “Acho que seria muito difícil para ela liderar. Ela é uma pessoa muito agradável, mas não tem o apoio nem o respeito necessários para ser líder”, declarou.
María Corina Machado é uma das principais figuras da oposição venezuelana e foi recentemente laureada com o Prêmio Nobel da Paz por sua atuação em defesa da democracia no país.
A declaração de Trump ocorre em um contexto no qual o próprio presidente norte-americano já manifestou publicamente, em outras ocasiões, a convicção de que deveria ter sido agraciado com o Nobel da Paz, argumento que costuma usar para exaltar sua atuação em política externa.
Além da questão política, Trump anunciou que pretende autorizar empresas petrolíferas dos Estados Unidos a assumir a infraestrutura energética da Venezuela. Segundo ele, companhias americanas investirão bilhões de dólares para recuperar o setor e retomar a produção de petróleo, considerada estratégica.
O presidente também afirmou que tropas americanas permanecerão no país para garantir a segurança das operações.
As declarações ampliam a incerteza sobre o futuro político da Venezuela e indicam uma fase de intervenção direta dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que afastam, ao menos por ora, a principal liderança civil da oposição de um eventual processo de transição.



