O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo avalia agora quais serão os próximos passos em relação à governança da Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita em entrevista por telefone à Fox News, a primeira concedida por Trump desde os ataques atribuídos às forças americanas.
Segundo Trump, Washington não pretende permitir que o poder no país seja simplesmente herdado por outro integrante do regime chavista. “Estamos tomando essa decisão agora. Não podemos correr o risco de deixar outra pessoa assumir e simplesmente continuar o que ele deixou. Vamos nos envolver muito nisso. Queremos liberdade para o povo”, afirmou.
Trump assistiu ação militar de camarote e garante que tem apoio de venezuelanos
O presidente americano disse ainda que, na avaliação dele, a população venezuelana reagiu de forma positiva à captura de Maduro. “Os venezuelanos estão muito felizes, porque amam os Estados Unidos”, declarou, classificando o governo Maduro como “uma ditadura”.
Trump afirmou que o líder venezuelano tentou negociar nos momentos finais antes da operação, mas que a tentativa foi rejeitada. “Ele estava tentando negociar no final, mas eu disse: ‘não, não podemos fazer isso’. O que ele fez com drogas é muito grave”, disse, reiterando acusações de envolvimento com o narcotráfico.
Durante a entrevista, Trump descreveu com detalhes o que chamou de uma operação militar “complexa” e “sem precedentes”, que ele afirmou ter acompanhado em tempo real a partir de Mar-a-Lago, sua residência e clube privado na Flórida.
Segundo o presidente, ele assistiu à ação ao lado de generais das Forças Armadas dos EUA. “Fui informado por militares de verdade que não existe outro país na Terra capaz de fazer uma manobra como essa”, afirmou. “Eu assisti literalmente como se estivesse vendo um programa de televisão”, acrescentou.
Trump exaltou a rapidez e a intensidade da operação. “Se você tivesse visto a velocidade, a violência, eles usam esse termo, velocidade e violência, foi algo impressionante. Um trabalho incrível. Ninguém mais conseguiria fazer algo assim”, disse.
O presidente relatou que a captura envolveu a invasão de estruturas fortemente protegidas. “Eles simplesmente entraram, arrombaram lugares que não eram feitos para serem invadidos, portas de aço colocadas exatamente para esse tipo de situação, e tudo foi resolvido em questão de segundos. Nunca vi nada parecido”, afirmou.
Trump disse ainda que os Estados Unidos mobilizaram um grande aparato aéreo para a operação. Segundo ele, havia “um número massivo de aeronaves” disponíveis, incluindo helicópteros e caças.
Cenários possíveis
Apesar disso, o governo venezuelano sustenta que não há vácuo de poder. O ministro das Relações Exteriores, Yván Gil, declarou que Nicolás Maduro “continua sendo o presidente da Venezuela”.
Em paralelo, a oposição venezuelana vê o momento como uma oportunidade histórica de mudança. Grupos opositores afirmam que o presidente legítimo é Edmundo González Urrutia, candidato nas eleições de 2024 e atualmente exilado na Espanha.
Ele é apoiado pela ativista María Corina Machado, vencedora recente do Prêmio Nobel da Paz, que declarou que seu movimento se prepara para uma “transição ordenada e pacífica” assim que Maduro deixar o poder.
Outro cenário considerado por analistas é uma reação mais dura das Forças Armadas. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, afirmou que a Venezuela resistirá à presença de tropas estrangeiras e classificou a ação dos EUA como “a maior afronta já sofrida pelo país”, o que aumenta o risco de um fechamento político ou de um governo de exceção.
A entrevista de Trump, no entanto, reforça a disposição do governo americano de atuar diretamente no desdobramento político da crise venezuelana e marca a primeira manifestação pública detalhada sobre a operação desde os ataques, em meio a reações críticas de governos da América Latina e questionamentos sobre a legalidade internacional da ação.
Com informações CNN.
Foto: Eric Lee/The New York Times



