O governo dos Estados Unidos reformulou a acusação judicial contra o ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, e abandonou a afirmação de que ele seria o líder do chamado Cartel de Los Soles. A mudança aparece em uma versão reescrita da denúncia apresentada pelo Departamento de Justiça e marca um recuo significativo em relação ao discurso adotado desde 2020.
Na nova acusação, Maduro deixa de ser descrito como chefe de uma organização narcoterrorista e passa a ser responsabilizado por integrar e proteger um sistema de corrupção ligado ao tráfico de drogas. Segundo o documento oficial, “o réu, Nicolás Maduro Moros — assim como o ex-presidente Chávez antes dele — participa, perpetua e protege uma cultura de corrupção na qual as elites poderosas da Venezuela se enriquecem por meio do tráfico de drogas”.
O texto também redefine o próprio conceito do Cartel de Los Soles, que antes era tratado como uma organização criminosa estruturada. Agora, o grupo é descrito como “um sistema de clientelismo comandado pelos que estão no topo, conhecido como Cartel de Los Soles ou Cartel do Sol”, sem hierarquia clara ou comando formal.
A mudança de linguagem ocorre após meses de escalada de tensões entre Washington e o regime venezuelano, que culminaram em uma operação militar em Caracas para capturar Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A ação foi considerada inédita na América Latina nas últimas décadas e gerou forte reação internacional.
Mesmo com o recuo na retórica, Maduro segue respondendo a quatro acusações nos Estados Unidos, incluindo conspiração para o narcoterrorismo, tráfico de cocaína e posse de armamento pesado. Em audiência em Nova York, ele se declarou inocente e afirmou ser um “prisioneiro de guerra”.
Com informações da Folha de São Paulo.
Foto: Adam Gray / Reuters.



